Sebrae e Iphan impulsionam Quilombo Kalunga em Goiás
Sebrae e Iphan se unem para apoiar desenvolvimento territorial do Quilombo Kalunga, em Goiás
Reprodução Redes Sociais
As comunidades quilombolas Kalunga, situadas na vibrante Chapada dos Veadeiros, em Goiás, estão prestes a passar por um importante inventário de seus bens culturais e potenciais econômicos. Esta iniciativa, que visa impulsionar o desenvolvimento territorial, resulta da parceria entre o Sebrae e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O acordo foi assinado nesta quinta-feira, 26 de março de 2026, em Brasília, e marca o início de um trabalho que se estenderá por 16 meses.
O Sebrae desempenhará um papel crucial ao buscar caminhos que promovam um desenvolvimento territorial sustentável, criando oportunidades e gerando renda para a comunidade, ao mesmo tempo que valoriza a rica cultura kalunga. Além disso, o Sebrae atuará como uma ponte entre o conhecimento ancestral e as inovações sustentáveis, reforçando a autonomia das comunidades quilombolas por meio de uma economia responsável que respeita a biodiversidade.
Ao todo, 39 comunidades e cerca de 7,5 mil pessoas que residem na região serão beneficiadas por essa importante iniciativa. Entre as atividades planejadas, destacam-se o mapeamento das comunidades Kalunga, a realização de oficinas participativas, a elaboração de um inventário que catalogará as referências culturais e potenciais econômicos, o georreferenciamento dessas informações, a alimentação de sistemas com dados relevantes e a confecção de um dossiê para o tombamento.
Adriano Paulino, presidente da Associação Kalunga Comunitária do Engenho II, relembrou que o tombamento do quilombo é uma reivindicação antiga. “Às vezes, enfrentamos ameaças, e isso se torna uma ferramenta crucial para a defesa do nosso território. Estamos ali há mais de 300 anos, e hoje é um marco histórico. Isso será extremamente importante para a nossa comunidade”, comentou ele.
É importante ressaltar que o Sebrae já atua nas comunidades quilombolas, promovendo e incentivando o Turismo de Base Comunitária. Com mais de 20 anos de experiência nessa área, o Quilombo Kalunga se destaca como um exemplo para os povos tradicionais e originários no que diz respeito ao desenvolvimento do turismo.
Atualizado há 29 horas
O acordo vai subsidiar a construção de uma metodologia participativa para o tombamento de quilombos em todo Brasil. A chefe de gabinete da presidência do Sebrae em exercício, Paula Mendes, representou a entidade na assinatura do convênio. “Esses inventários significam que as próprias comunidades dirão o que é o patrimônio cultural. O que estamos acordando com o Sebrae são as condições para que essas escutas aconteçam. Teremos diversas rodas, oficinas, experiências. Ao dizerem o que é patrimônio kalunga, isso estará firmado como compromisso do estado brasileiro para que nenhuma memória seja esquecida”, ressaltou o presidente do Iphan, Leandro Grass. “Estamos muito contentes porque estamos buscando o nosso espaço. Estamos confiantes de que este é o caminho certo. Isso é uma conquista para todo o povo quilombola do Brasil”, completou o prefeito de Cavalcante (GO), Vilmar Kalunga. Com uma atuação no turismo de base comunitária há mais de 20 anos, o Quilombo Kalunga tem se transformado em referência para os povos tradicionais e originários quanto ao desenvolvimento do turismo. Ele é o maior quilombo do Brasil, com 262 mil hectares, 39 comunidades e aproximadamente 9 mil pessoas.
Atualizado há 35 horas
“O Brasil que queremos construir passa necessariamente pelo conhecimento das suas raízes. Estamos falando de um trabalho que vai muito além, portanto, da economia. Estamos falando de gente, de história, de identidade”, ressaltou o presidente do Sebrae, Décio Lima.
O Sebrae trabalha de mãos dadas para fortalecer a autonomia das comunidades quilombolas por meio de uma economia responsável que proteja a biodiversidade, valorize a cultura e garanta a prosperidade. Desenvolvimento de verdade é aquele que respeita a história, protege o território, inclui e melhora a vida das pessoas.
Em 2025, a entidade lançou, em parceria com as associações Quilombo Kalunga (AQK) e Kalunga Comunitária do Engenho II, um estudo de caso pioneiro para reconhecer a atuação local que já permitiu trazer um retorno para a comunidade.
