SBPC alerta: Ciência é ignorada nas eleições de 2026
A presidenta da SBPC critica a falta de foco em ciência e tecnologia nas campanhas eleitorais, essenciais para o futuro do Brasil.
Enquanto o cenário político e as polêmicas em torno do caso Master dominam as conversas em todo o Brasil, questões estratégicas cruciais para o país precisam ser enfrentadas em um futuro próximo. Os desafios incluem o envelhecimento da população, a transição energética e a urgência de desenvolver a capacidade de extrair e processar minerais críticos escondidos em nosso subsolo. No entanto, esses temas essenciais estão sendo deixados de lado no debate eleitoral.
Francilene Garcia, presidenta da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), expressa sua preocupação com o fato de que os recentes escândalos e disputas pessoais desviam a atenção dos assuntos que realmente importam para o futuro do Brasil. Em sua visão, questões como ciência, transição energética e a preparação para cenários adversos, incluindo uma possível nova crise sanitária, estão sendo ofuscadas.
Para Francilene, que é doutora em engenharia elétrica e professora e pesquisadora na Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), eleitores e candidatos parecem estar presos em uma falsa dicotomia. "Ou se discute a integridade das instituições, ou se planeja o futuro do país. O ponto aqui é que tanto a discussão sobre a integridade das instituições quanto o projeto de desenvolvimento devem estar na mesma agenda", defendeu ela em uma entrevista exclusiva à Agência Brasil. Durante a conversa, Francilene também abordou o envelhecimento da população e a falta de atenção às candidaturas relacionadas à ciência.
Agência Brasil: Quais temas a SBPC considera prioritários nestas Eleições Gerais?
Francilene Garcia: "Primeiramente, é crucial destacar que, devido à crise, o país é forçado a escolher entre debater a integridade das instituições e o projeto de desenvolvimento, quando na verdade essas duas questões devem caminhar juntas. Além disso, a ciência brasileira ainda não ganhou destaque nesta campanha. É surpreendente, considerando que a ciência depende de condições estáveis, um orçamento previsível e atenção constante, especialmente em tempos de novas crises pandêmicas. Infelizmente, esses assuntos têm sido discutidos de maneira periférica, pois a agenda eleitoral está repleta de temas que a sociedade não prioriza. Na nossa perspectiva, existe uma lacuna enorme em relação aos assuntos que realmente importam. Por isso, lançamos o Observatório das Eleições, com o objetivo de apresentar mais de uma centena de propostas de políticas públicas que consideramos essenciais para o desenvolvimento do país. Estamos tentando engajar as candidaturas e qualificar os debates sobre questões como mudanças climáticas e seus impactos nas cidades, além dos riscos de novas crises pandêmicas e o processo de transformação digital. Esses temas ainda não têm encontrado espaço nas campanhas."
Agência Brasil: E a falta de destaque se deve à gravidade da atual crise político-institucional e suas repercussões, ou é uma questão histórica, onde a ciência sempre ficou em segundo plano?