
Rússia e Brics: Alianças para Reservas de Alimentos em Crise
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Reprodução Redes Sociais
MOSCOU, 13 de abril de 2026, 15:56 – A Rússia, maior exportador de trigo do mundo, planeja formar reservas de alimentos em colaboração com os países do Brics e ex-repúblicas soviéticas. Essa iniciativa é crucial para enfrentar os desafios à segurança alimentar global gerados pelo conflito no Oriente Médio, conforme afirmou uma importante autoridade de segurança russa.
Cerca de metade dos alimentos consumidos mundialmente depende de fertilizantes. Alarmantemente, um terço do comércio global desses insumos passava pelo Estreito de Ormuz, uma rota vital que está praticamente bloqueada desde o início da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã. Alexander Maslennikov, vice-secretário do Conselho de Segurança da Rússia, enfatizou a necessidade de fortalecer a cooperação com nações amigas, especialmente os membros da União Econômica Eurasiática e do Brics, sugerindo a criação de reservas alimentares conjuntas.
O Conselho de Segurança da Rússia, sob a presidência de Vladimir Putin, é composto por autoridades de alto escalão e desempenha um papel fundamental nas decisões sobre segurança nacional. Putin deve se reunir com Prabowo Subianto, presidente da Indonésia e membro do Brics, nesta segunda-feira, e a segurança alimentar será um ponto central da discussão.
Maslennikov alertou que a crise no Oriente Médio representa riscos sérios para a segurança alimentar global. Se a escassez de fertilizantes persistir até o início do verão, a produtividade das principais culturas poderá cair drasticamente, potencialmente pela metade, exacerbando a inflação global de alimentos, que já é uma preocupação crescente. O número de pessoas famintas no mundo pode alcançar um recorde de 673 milhões, segundo ele.
Na semana passada, instituições como o Banco Mundial, o Fundo Monetário Internacional e o Programa Mundial de Alimentos da ONU alertaram sobre os impactos dos aumentos bruscos nos preços do petróleo, gás natural e fertilizantes, todos impulsionados pela guerra no Oriente Médio. Embora a Rússia seja um grande produtor e exportador de fertilizantes, sua capacidade de aumentar significativamente a produção neste ano é limitada. O país visa aumentar suas exportações agrícolas em 50% até 2030.
Apesar dos riscos à segurança alimentar, a situação atual também oferece oportunidades para os produtores agrícolas russos. “A Rússia está em uma posição privilegiada para expandir as exportações de alimentos para o Oriente Médio, além de países da Ásia, África e América Latina”, afirmou Maslennikov. O Egito, membro do Brics, é o maior importador de trigo russo, e a Rússia também mantém um fluxo significativo de alimentos para a China e a Índia, as duas maiores economias do bloco. A União Econômica Eurasiática, liderada pela Rússia, desempenha um papel importante neste contexto.