Romênia: Moção de Censura Derruba Primeiro-Ministro e Governo
Colapso do governo pró-UE gera incertezas na Romênia após moção de censura aprovada por deputados, destacando a instabilidade política atual.

O governo de coligação pró-europeu da Romênia enfrentou um colapso na última terça-feira, quando os deputados decidiram aprovar uma moção de censura contra o primeiro-ministro Ilie Bolojan. Essa votação sinaliza o início de um novo período de incertezas para o país, e tudo isso ocorre menos de um ano após a posse do atual executivo. O movimento para essa moção começou na semana passada, quando o Partido Social Democrata (PSD), de centro-esquerda, se retirou da coligação no final de abril e se uniu à Aliança para a Unidade dos Romenos (AUR), um partido de oposição de extrema-direita, para apresentar a moção ao parlamento.
Após um intenso debate, 281 deputados votaram a favor da moção, enquanto apenas quatro se opuseram. Curiosamente, os membros do Partido Nacional Liberal (PNL), liderado por Bolojan, e seus parceiros de coligação, a União para Salvar a Romênia e o pequeno partido UDMR, não participaram da votação. Bolojan, em resposta, rotulou a moção como "cínica e artificial", argumentando que parecia ter sido elaborada por pessoas que não estiveram ativamente no governo ou envolvidas nas decisões diárias. Ele afirmou: "Assumi o cargo de primeiro-ministro, ciente de que isso implicava enorme pressão e que não contaria com aplausos do público. Mas fiz o que era urgência e necessidade para o nosso país."
A Romênia vem lidando com um período prolongado de instabilidade, especialmente após a anulação das eleições presidenciais em dezembro de 2024. O país se vê agora diante de um dos maiores déficits orçamentários da União Europeia, além de uma inflação crescente e uma recessão técnica. Quando a coligação foi eleita em junho, a promessa era de priorizar a redução do déficit orçamentário. Contudo, o PSD frequentemente se opôs a Bolojan em relação a diversas medidas de austeridade, como o aumento de impostos, o congelamento de salários e pensões no setor público, e cortes nos gastos e empregos da administração pública.
Os líderes do PSD alegam que Bolojan não conseguiu implementar reformas efetivas durante os dez meses em que esteve no poder e que a Romênia precisa de um líder que possa colaborar. Por outro lado, Bolojan defende que as medidas fiscais adotadas foram rigorosas, mas essenciais, e que ajudaram a recuperar a confiança dos mercados em relação ao governo romeno. Para estabelecer uma maioria parlamentar favorável à Europa, a presença do PSD seria fundamental, mas o partido já havia descartado anteriormente a possibilidade de se unir à AUR.
George Simion, o líder da AUR, expressou sua visão na terça-feira, afirmando que os eleitores "desejaram água, comida e energia", mas acabaram recebendo "impostos, guerra e pobreza". Ele declarou: "Estamos assumindo a responsabilidade pelo futuro deste país e restaurando a esperança dos romenos. A Romênia precisa voltar a ouvir a voz do seu povo." Cristian Andrei, um consultor político baseado em Bucareste, comentou que essa crise pode resultar em um impasse, já que "ninguém possui uma maioria ou uma coligação", e que o presidente levará semanas para decidir os próximos passos.