Reino Unido pode criar taxa para usuários de YouTube e streaming

Governo britânico avalia incluir streaming na taxa de licença de TV, visando ampliar arrecadação e garantir sustentabilidade da BBC.

•3 min de leitura•Fonte original
Reino Unido pode criar taxa para usuários de YouTube e streaming
Vitor Pádua/Tecnoblog)

O governo do Reino Unido está considerando a possibilidade de ampliar a taxa de licença de televisão para incluir também aqueles que consomem conteúdo em streaming, como Netflix e YouTube. Atualmente, essa taxa é obrigatória apenas para quem assiste a transmissões ao vivo ou utiliza o BBC iPlayer.

Essa proposta, se aprovada, poderia fazer com que entre 3 e 4 milhões de lares a mais passassem a pagar a taxa que financia a BBC, segundo informações do jornal britânico The Independent, que conversou com membros do governo envolvidos nas discussões.

Atualmente, a taxa é paga anualmente e custa 180 libras (o que corresponde a aproximadamente R$ 1.215 na conversão direta) para quem assiste à TV, independentemente da plataforma utilizada. Vale mencionar que idosos com 75 anos ou mais podem ser isentos, assim como há descontos disponíveis para pessoas com deficiência visual.

Essa possível mudança vem em um momento crítico, já que a BBC está enfrentando uma queda no número de pagantes. No ano fiscal de 2025/2026, a emissora reportou um déficit operacional de 121 milhões de libras (cerca de R$ 818 milhões). O diretor-geral, Matt Brittin, já expressou sua insatisfação com o modelo atual de financiamento, sugerindo que mudanças são necessárias.

A arrecadação da licença é uma das principais fontes de financiamento da BBC, que é a emissora pública mais antiga e uma das mais relevantes do país. De acordo com os dados do The Independent, a emissora arrecada entre 3,8 bilhões e 3,9 bilhões de libras (cerca de R$ 26 bilhões) anualmente por meio dessa cobrança.

Entretanto, a companhia tem observado uma diminuição no número de licenças ativas. Cerca de 539 mil deixaram de ser renovadas no período de 12 meses encerrado em 31 de março deste ano. Nos últimos cinco anos, a perda acumulada chega a aproximadamente 2 milhões de pagantes.

Uma fonte do governo, que falou com o The Independent, explicou que a proposta visa adaptar a cobrança às novas formas de consumo de vídeo pela internet. "As pessoas estão utilizando essas plataformas para evitar o pagamento […] Não é justo que algumas consigam assistir a conteúdos de TV, mas evitem a taxa de licença", disse.

A ideia é que os consumidores de serviços de streaming também passem a contribuir, o que fez com que a possível mudança fosse apelidada de “taxa do YouTube”. Essa expansão poderia trazer um alívio financeiro à emissora, considerando que a plataforma do Google conta com cerca de 55 milhões de usuários no Reino Unido.

Segundo o jornal, a proposta deve ser incorporada na renovação da Carta Real da BBC, um documento que estabelece as regras de governança e financiamento da emissora, cuja versão atual expira no próximo ano.

As discussões estão sendo conduzidas pelo Departamento de Cultura, Mídia e Esporte do Reino Unido (DCMS), que também está considerando destinar parte da arrecadação adicional para o jornalismo local e para iniciativas de combate à desinformação.

Em comunicado, o DCMS mencionou que está avaliando diferentes alternativas para garantir que o financiamento da BBC se torne sustentável e adequado às mudanças nas formas de consumo de mídia. No entanto, o departamento destacou que, até o momento, nenhuma decisão foi tomada.

Compartilhar: