Rei da Espanha Visita Ceuta Após 19 Anos em Meio à Crise Migratória
A visita de Felipe VI a Ceuta e Melilha marca um momento histórico e reflete a atual crise migratória enfrentada pela região.

Felipe VI levou 12 anos de reinado até realizar sua primeira viagem a Ceuta, e o faz, curiosamente, no mesmo mês que seu bisavô. Hoje, às 12h30, o Rei e a rainha Letizia chegam à Câmara Municipal de Ceuta, localizada na Praça de África, dando início a uma jornada de dois dias que continuará amanhã em Melilha. Esta é a primeira vez que eles visitam oficialmente essas duas cidades na condição de monarcas.
Vale lembrar que, anteriormente, Juan Carlos I e a rainha Sofia já haviam feito essa visita, em novembro de 2007, marcando um momento significativo, já que fazia 80 anos que não recebiam um rei. Contudo, o contexto atual é bem diferente: cerca de 72.000 pessoas cruzaram a fronteira a partir de Marrocos em direção a Ceuta nos dias 30 e 31 de julho, em uma cidade que tem pouco mais de 80.000 habitantes.
Na programação da visita de Felipe VI a Ceuta e Melilha, o presidente da Cidade Autónoma, Juan Jesús Vivas, receberá os Reis na Câmara Municipal e lhes entregará as chaves da cidade, um gesto que também foi feito a Juan Carlos I e Sofia em 2007. Depois, eles visitarão a escola Vicente Aleixandre e encerrarão a visita no cemitério muçulmano de Sidi Embarek, onde ocorrerá uma cerimônia ecumênica em homenagem àqueles que perderam a vida tentando chegar a nado entre os dias 30 e 31 de julho. Infelizmente, muitos estão sepultados lá, devido à recusa de Marrocos em aceitar os corpos.
Uma das grandes novidades em relação a 2007 é que, desta vez, os Reis passarão a noite em Ceuta. Juan Carlos e Sofia não fizeram o mesmo.
Já amanhã, será a vez de Melilha. Eles chegarão ao Palácio da Assembleia às 11h45; à tarde, visitarão a escola "Pintor Eduardo Morillas" e se encontrarão com representantes da sociedade local no hotel "Melilla Puerto". A Casa Real optou por manter o mesmo itinerário em ambas as cidades, conferindo assim a elas um peso equivalente, mesmo que Melilha não tenha enfrentado a mesma crise migratória intensa que Ceuta.
E, falando sobre a situação migratória, o Ministério do Interior informou que mais de 70.000 pessoas entraram em Ceuta a partir de Marrocos nos dias 30 e 31 de julho. Sánchez esteve na cidade no dia 31 e mencionou um ataque à integridade territorial da Espanha. Em 6 de agosto, Felipe VI foi recebido no Palácio de Marivent, durante suas férias em Maiorca, e o presidente de Ceuta afirmou que o Rei pretendia viajar assim que o governo considerasse apropriado. No final de agosto, Sánchez anunciou que a viagem se realizaria assim que as condições fossem favoráveis.
Em 29 de setembro, durante um jantar de gala em homenagem ao presidente francês Emmanuel Macron, o Rei fez um apelo por maior solidariedade dos países europeus, considerando "inaceitável" a situação em Ceuta. Desde agosto, 11.026 pessoas retornaram a Marrocos, de acordo com o ministro Torres: 10.513 por vontade própria e 513 expulsas.


