Recompras de Ações Crescem 27% em 2026: Top 20 Empresas
As recompras de ações alcançam US$ 572 bilhões, com Salesforce liderando o ranking e tecnologia dominando o cenário financeiro global.
Atualização do Mercado de Recompras de Ações – 16/09/2026 às 11h00
Atualizado há 18 horas
Nos últimos tempos, as recompras de ações realizadas por empresas em todo o mundo apresentaram um crescimento significativo de 26,8% no segundo trimestre de 2026 em comparação ao ano anterior. Esse movimento totalizou impressionantes US$ 572 bilhões, conforme o Índice Global de Dividendos e Recompras da Janus Henderson, divulgado na terça-feira, dia 15. Um dos destaques foi a Salesforce, que assumiu a liderança no ranking de recompras, tirando a Apple do primeiro lugar, posição que ela ocupava ininterruptamente nos quatro trimestres anteriores.
Esse crescimento foi impulsionado, em grande parte, pela rentabilidade crescente das empresas de tecnologia e do setor financeiro. De fato, o setor de tecnologia ultrapassou o financeiro e se tornou a principal fonte de recompras, acumulando US$ 121,1 bilhões no trimestre, em comparação aos US$ 104 bilhões do setor financeiro.
Além da Salesforce, a Toyota e a Nvidia completam as quatro primeiras posições do ranking. Curiosamente, sete das dez maiores recompradoras são empresas ligadas à tecnologia ou ao setor financeiro. Somadas, essas 20 empresas foram responsáveis por US$ 176 bilhões, representando 30,8% do total global de recompras estimadas.
Jane Shoemake, que lidera a área de CPM de Ações para a região EMEA na Janus Henderson, observa que muitas das grandes empresas de tecnologia estão investindo quantias sem precedentes em infraestrutura de inteligência artificial, incluindo data centers e capacidade de computação. Ao mesmo tempo, elas continuam a realizar grandes volumes de recompras. No entanto, com a queda do caixa líquido, algumas empresas já começaram a buscar financiamento no mercado de dívida. Essa combinação, segundo Shoemake, pode criar uma tensão no médio prazo, especialmente se os investimentos continuarem a crescer.
Ela destaca: “Com o aumento das necessidades de investimento, as recompras costumam ser a primeira alavanca que as empresas ajustam, em vez de reduzirem os dividendos regulares”.
Além disso, um levantamento da Janus Henderson revela que, ao considerar o valor de uma única ação, a holding da JBS superou tanto as ações ordinárias quanto as preferenciais da Petrobras.
Os Estados Unidos foram responsáveis pela maior parte das recompras, somando US$ 302,1 bilhões, seguidos pelo Japão, com US$ 36,3 bilhões — um valor cerca de três vezes maior do que o total registrado no restante da região Ásia-Pacífico. O Canadá ficou em terceiro lugar, com US$ 19,7 bilhões, enquanto a Europa, excluindo o Reino Unido, registrou US$ 19,6 bilhões, com a Alemanha liderando. No Brasil, a cifra foi de US$ 1,1 bilhão, posicionando o país como líder na América Latina.
Vale ressaltar que, devido ao fato de algumas empresas reportarem esses dados com um certo atraso, a gestora não divulga taxas de crescimento das recompras por setor ou região. Além disso, US$ 136,9 bilhões do total apurado entre as 1.500 companhias do índice ainda correspondem a uma estimativa não distribuída entre os setores e países.
Para o restante de 2026, a Janus Henderson projeta um aumento nas recompras entre 7% e 8%, e nos dividendos, entre 5% e 6%. No trimestre, os dividendos totalizaram US$ 757,8 bilhões, com a Saudi Aramco na liderança do ranking e a Nvidia figurando entre as dez maiores pagadoras.
