Reajuste do Bolsa Família: Estratégia de Lula nas Eleições 2026
O aumento do Bolsa Família surge como tática para desviar a atenção da crise no STF e fortalecer a campanha de Lula a 17 dias do primeiro turno.
/https://i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/u/V/gsjeBRR7eBoVzzlLU5pg/2026-09-11t180431z-1748174165-rc2zgnavoq1d-rtrmadp-3-venezuela-suriname.jpg)
18/09/2026, 08h27 – Atualizado em 18/09/2026
Nas últimas semanas, o reajuste do Bolsa Família tem sido um tema central nas discussões do Ministério da Fazenda, defendido como uma estratégia para amenizar o descontentamento dos eleitores em relação à economia. A decisão final foi tomada após a crise no Supremo Tribunal Federal (STF), e para a campanha do presidente Lula, essa medida é vista como uma forma de desviar o foco da disputa política no STF, que atualmente não favorece o presidente.
O papel do ministro Flávio Dino foi crucial ao adiar a abertura de uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes, complicando a narrativa de Lula, que defende que “todos devem ser investigados”. Dino, o ministro do Supremo mais próximo do presidente, teve um papel proeminente durante o primeiro biênio do governo, com um estilo combativo enquanto liderava o Ministério da Justiça e desempenhava um papel significativo após os eventos de 8 de janeiro.
O aumento do Bolsa Família, a apenas 17 dias do Primeiro Turno, gerou algumas críticas. No entanto, a equipe de campanha acredita que essas críticas são previsíveis e fazem parte do jogo político tradicional relacionado à gestão do PT. Independentemente do reajuste, a percepção é que o governo é visto como pouco preocupado com questões fiscais.
Atualmente, 19 milhões de famílias recebem o Bolsa Família, impactando quase 50 milhões de pessoas – cerca de um quarto da população brasileira. Recentemente, pesquisas têm apontado descontentamento do eleitorado em relação à economia, mesmo com indicadores positivos, como a baixa inflação e a diminuição da taxa de desemprego.
Pessoas próximas a Lula acreditam que, além de alterar a discussão pública, o reajuste pode ser uma jogada estratégica contra a campanha de Flávio Bolsonaro. O raciocínio é simples: se Bolsonaro criticar ou se opuser à medida, poderá perder apoio entre os eleitores.
Desde o início do dia, a coordenação da campanha de Flávio Bolsonaro tem se mostrado relutante em atacar uma medida que beneficia tantas pessoas. O senador Rogério Marinho (PL-RN), que coordena a campanha, comentou à GloboNews: “Eles não se preocupam com o futuro do país. A irresponsabilidade fiscal é a marca deste governo. E quando isso acontece, surgem as consequências, como os juros altíssimos. Vamos destacar isso em nossa campanha”.
Em meio a essa situação, um deputado bolsonarista, Zé Trovão (PL-SC), decidiu acionar o Tribunal Superior Eleitoral. No entanto, o processo foi arquivado por André Mendonça, que considerou que Trovão não tinha legitimidade para apresentar esse tipo de ação. Essa movimentação foi vista como uma iniciativa isolada, mas acabou gerando um ônus para a campanha de Flávio Bolsonaro.
Nos últimos dias, a campanha de Lula começou a mudar o tom da sua abordagem. Insatisfeitos com o controle da narrativa que Flávio Bolsonaro conseguiu estabelecer em meio à crise no Supremo, os articuladores do PT passaram a relembrar as crises enfrentadas durante o governo de Jair Bolsonaro e intensificaram os ataques a Donald Trump, especialmente após suas críticas ao Brasil no contexto do combate ao tráfico de drogas.