Quizomba: Conscientização Ecológica e Feminicídio no Carnaval
“Nossa ideia é de levar para a avenida a necessidade de pensar o futuro do planeta”, disse o fundador do bloco e mestre de bateria André Schmidt.
O Bloco Quizomba reuniu uma verdadeira multidão nesta terça-feira, 17 de fevereiro de 2026, durante o carnaval no Aterro do Flamengo, no Rio de Janeiro. Com os temas "Verde que te Quero Ver" e a luta contra o feminicídio, o bloco trouxe à avenida uma mensagem de conscientização. André Schmidt, o fundador e mestre de bateria, compartilhou que a proposta do bloco é destacar a importância da ecologia e da recuperação dos biomas. "Nossa ideia é levar para a avenida a necessidade de pensar no futuro do planeta", afirmou ele, refletindo sobre a urgência desse tema. Além disso, ele mencionou a parceria com o Levante Mulheres Vivas, uma iniciativa que combate a violência contra as mulheres e o feminicídio. "O carnaval é um teatro a céu aberto e, como todo teatro, tem seus momentos de reflexão. No Brasil, onde o feminicídio só tem aumentado, precisamos que nós, homens, nos conscientizemos e que falemos com outros homens sobre a importância de apoiar a pauta feminista", enfatizou. Dados do sistema judiciário revelam que, em 2025, a Justiça brasileira julgou, em média, 42 casos de feminicídio por dia, totalizando 15.453 julgamentos. Isso representa um aumento de 17% em relação ao ano anterior. Durante o mesmo período, foram concedidas 621.202 medidas protetivas, o que equivale a 70 medidas por hora, de acordo com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A bateria do Quizomba conta com 160 integrantes, todos alunos da oficina de percussão do bloco, realizada no Circo Voador. "O Quizomba é um bloco plural. Fomos um dos precursores da revitalização do carnaval carioca. Trazemos uma mistura de samba, axé, marchinha, samba reggae, rock e pop rock", disse Schmidt, celebrando a diversidade musical que o bloco representa. Fundado em 2001, o Quizomba surgiu de uma oficina de percussão, unindo amigos com o desejo de levar às ruas a riqueza da musicalidade brasileira em forma de festa. Entre os integrantes, a publicitária Patricia Lima toca tamborim e compartilha sua trajetória. "Conheci o bloco como foliã e me apaixonei. Decidi fazer a oficina há três anos. O que me atraiu foi a diversidade do repertório, que inclui MPB, samba enredo e rock." Por sua vez, a professora Andreia Martins veio de Juiz de Fora para o Rio de Janeiro e está vivendo seu primeiro carnaval na cidade. "Tenho um amigo no bloco que toca surdo. Acho importante o grupo que toca tambor, pois isso reforça nossa ancestralidade. E o tema da natureza é essencial, está pedindo socorro. Tudo que faça uma ode à preservação ambiental é muito relevante", concluiu.
