Queda nos Investimentos Estrangeiros em Tecnologia na América Latina
Análise do Itaú BBA revela estratégias para atrair investimentos em um cenário de queda nos fluxos financeiros em 2026.

A alocação de fundos globais voltados para mercados emergentes (GEM) na América Latina tem mostrado um declínio ao longo de 2026. Esse movimento ocorre em meio a uma mudança de foco dos investidores, que estão se voltando mais para o setor de tecnologia. Essa análise é feita pelo Itaú BBA, que monitora cerca de US$ 353 bilhões em ativos distribuídos entre 90 fundos ativos.
De acordo com o banco, a participação da América Latina nos portfólios caiu 0,54 ponto percentual desde o início do ano. Apesar disso, a região ainda mantém uma alocação superior ao índice de referência, ou seja, está “overweight”. Atualmente, os países latino-americanos representam 9,36% das carteiras, com o Brasil se destacando como o principal destino dos investimentos estrangeiros. Esse país, sozinho, responde por 5,35% das alocações globais em emergentes e permanece como o mais "overweight", mesmo após um desempenho mais fraco nos últimos tempos.
Na sequência, o México aparece com 2,30%, seguido por Peru (0,80%), Chile (0,54%) e Argentina (0,30%). No entanto, é importante notar que o recente movimento de investimentos tem se traduzido em uma redução da exposição em quase toda a região. Brasil (-30 pontos-base), México (-18 bps), Peru (-11 bps) e Chile (-9 bps) tiveram suas participações diminuídas nos portfólios em 2026. A Argentina, por sua vez, foi a única exceção, conseguindo um aumento de 11 bps e conquistando assim mais relevância relativa.
Analisando o setor, o relatório revela uma mudança significativa na composição das carteiras. Embora o setor financeiro continue sendo o principal overweight na América Latina, sua exposição tem diminuído de forma considerável. Em contrapartida, o setor de energia tem se destacado positivamente, com um aumento de alocação de 0,34 ponto percentual. Esse movimento reflete o crescente interesse global por commodities e ativos relacionados ao petróleo. Por outro lado, o setor de materiais também enfrentou cortes importantes.
Entre as ações latino-americanas, as empresas do setor de energia têm sido as principais beneficiárias dos fluxos recentes. A Petrobras (PETR4), por exemplo, é um dos papéis que mais viu sua alocação crescer, ao lado de Vista e PRIO (PRIO3). No ranking das maiores posições, temos nomes como Petrobras (PETR4), Vale (VALE3), Itaú Unibanco (ITUB4) e Credicorp, que continuam a ser relevantes nas carteiras globais. Em contrapartida, bancos e empresas de consumo têm se destacado negativamente recentemente. Essa redução de exposição afetou, por exemplo, o Bradesco (BBDC4) e o Mercado Livre, além de companhias ligadas a commodities metálicas e ao varejo.
O Itaú BBA ressalta que, embora o Brasil permaneça como o principal destino na região, o país também tem enfrentado uma diminuição do overweight ao longo do tempo. A posição relativa caiu de 1,64% em 2025 para 1,34% no primeiro trimestre de 2026. Essa tendência observada na América Latina também se reflete no mercado brasileiro, com uma redução do peso dos setores financeiros e um aumento da relevância do setor de energia. Diante desse cenário, o Itaú BBA sugere que os investidores interessados na região considerem três estratégias principais: primeiro, aumentar a exposição a utilities no Brasil, um setor que continua a apresentar boa performance.