
Queda no Consumo de Fertilizantes no Brasil em 2026
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SÃO PAULO, 13 de abril de 2026 (Reuters) - O consumo de fertilizantes no Brasil deve enfrentar uma queda de aproximadamente 2 milhões de toneladas em 2026, refletindo os altos preços do insumo, exacerbados pela guerra no Oriente Médio e as dificuldades financeiras dos produtores. Essa análise é parte do relatório do Rabobank divulgado nesta segunda-feira.
No ano anterior, as entregas totais de fertilizantes aos consumidores brasileiros alcançaram um recorde de 49,1 milhões de toneladas. Contudo, as previsões para 2026 indicam uma redução, com estimativas apontando para 47,2 milhões de toneladas.
A intensificação das tensões geopolíticas no Oriente Médio, em especial a situação no Estreito de Ormuz, que se tornou um ponto crítico devido ao conflito entre os EUA e Israel contra o Irã, resultou em uma diminuição significativa da disponibilidade global de fertilizantes, conforme observado pelo Rabobank.
Essa situação impacta severamente o setor agrícola em países que dependem da importação, como o Brasil. Dados da indústria mostram que, no ano passado, cerca de 88% dos fertilizantes utilizados pelos agricultores brasileiros foram importados.
Além disso, o Rabobank destacou que os produtores brasileiros enfrentam desafios financeiros significativos, com margens de lucro em declínio. "Essa situação, combinada com o conflito no Oriente Médio, torna mais difícil que as entregas em 2026 consigam igualar a performance excepcional do ano passado", menciona o relatório.
Para a atual temporada, as expectativas do banco indicam uma possível redução na demanda, devido aos preços persistentemente altos. Embora as importações brasileiras provenientes do Oriente Médio estejam em declínio, os problemas de fornecimento, decorrentes da guerra, continuarão a influenciar a demanda. Atualmente, apenas 12% do fertilizante importado pelo Brasil vem dessa região.
Especificamente em relação à ureia, cerca de 36% das importações brasileiras no ano passado tiveram origem no Oriente Médio, uma queda em comparação aos 53% registrados em 2021. O Rabobank também observou que aproximadamente 70% de todas as importações de ureia feitas pelo Brasil ocorrem entre maio e dezembro, o que pode beneficiar os importadores brasileiros, caso o conflito tenha uma duração breve. Vale ressaltar que, entre a primeira semana de janeiro e 19 de março, os preços da ureia nos portos brasileiros aumentaram quase 76%.
