Queda na Natalidade das Baleias-Jubarte em 2026: Causas e Impactos

A temporada das baleias-jubarte no Brasil termina com uma taxa de natalidade alarmantemente baixa, refletindo os efeitos do aquecimento global.

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Todos os anos, as majestosas baleias-jubarte percorrem quase 4 mil quilômetros, partindo da Antártida, onde se alimentam, até o arquipélago dos Abrolhos, no sul da Bahia, local onde elas acasalam e dão à luz seus filhotes. No entanto, neste ano, a maternidade das baleias no Brasil registrou um número surpreendentemente baixo de nascimentos. Crescimento da População de Baleias-Jubarte: De 1,5 mil a... A principal explicação para essa situação parece estar ligada ao aquecimento global.

Conforme os dados do Instituto Baleia Jubarte, até setembro, apenas 3,35% das baleias avistadas eram filhotes, um número que fica bem abaixo da média histórica de 9,98% registrada desde 2014. Para se ter uma ideia, no ano passado, a taxa bruta de natalidade foi de 10,7%, e em 2024, um recorde foi alcançado com 16,69%.

Milton Marcondes, diretor de pesquisas do instituto, ressalta que as alterações climáticas podem estar impactando a disponibilidade de krill na Antártida, que é o principal alimento das jubartes. Ele explica que "baleias que não se alimentam adequadamente, quando chegam ao momento de acasalar, podem não ter a mesma fertilidade. Além disso, as fêmeas grávidas correm o risco de perder seus filhotes".

É importante lembrar que as jubartes não costumam se alimentar durante a viagem, o que torna essencial que elas acumulem uma boa reserva de gordura antes de partirem para Abrolhos. Isso é ainda mais crítico para aquelas que estão gestantes, pois precisarão amamentar seus filhotes.

Os dados sobre natalidade são baseados no monitoramento diário que pesquisadores do instituto realizam a bordo de uma barcaça que transporta celulose entre Belmonte, na Bahia, e Barra do Riacho, no Espírito Santo. De acordo com Marcondes, essa abordagem proporciona estatísticas anuais mais confiáveis, já que as contagens são feitas diariamente, no mesmo período e ao longo da mesma rota todos os anos.

Além disso, o instituto também conduziu a contagem das baleias avistadas durante 11 cruzeiros científicos no arquipélago dos Abrolhos, contabilizando 431 indivíduos, dos quais 42 eram filhotes. Essa proporção também ficou aquém do esperado, segundo Marcondes.

Para ter uma noção melhor da população total de jubartes no Brasil, uma contagem mais abrangente está sendo realizada por meio de sobrevoos, que vão do litoral de São Paulo até o Rio Grande do Norte. O último levantamento desse tipo, realizado em 2022, estimou um número recorde de 34,5 mil baleias.

Embora a contabilização deste ano ainda esteja em andamento, tudo indica que os números de indivíduos e filhotes serão inferiores. Marcondes observa que flutuações na população são comuns, mas é fundamental compreender os fatores que estão influenciando a reprodução.

"Esse fenômeno não se restringe ao Brasil. Também foi observado entre as jubartes do Pacífico, que frequentam a costa do Equador, e nas costas oeste e leste da Austrália...", acrescenta ele, contextualizando a situação.

Além disso, a queda no número de nascimentos está fazendo com que a temporada deste ano termine mais cedo. Normalmente, as jubartes começam a aparecer no Brasil em junho, atingindo um pico entre julho e outubro, e partem novamente até novembro. "As baleias que vieram acasalar já cumpriram seu ciclo e estão indo embora. O que geralmente prolonga a temporada são os filhotes", conclui.

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