Queda na Atividade da Construção Civil em 2026: Dados da CNI
Construção civil enfrenta desafios com juros altos e queda na atividade no terceiro trimestre de 2026, segundo a CNI e CBIC.
29/10/2026, 13h31 Atualizado em 29/10/2026, 13h59
No terceiro trimestre de 2026, a atividade da construção civil registrou uma queda significativa, alcançando 45,9 pontos, uma diminuição em relação aos 47,8 pontos do segundo trimestre. Esses dados são oriundos da Sondagem da Indústria e do Comércio, realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), com o apoio da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). Para comparação, no mesmo período do ano anterior, o indicador estava em um patamar mais elevado, atingindo 48 pontos.
Os empresários do setor identificaram a taxa de juros elevada como o principal desafio enfrentado, com 40% deles apontando isso como um problema crucial. Além disso, a alta carga tributária (31%) e os custos ou a escassez de mão de obra, tanto qualificada (25%) quanto não qualificada (29%), foram citados como entraves significativos para a construção civil.
Eduardo Aroeira Almeida, presidente da CBIC, ressaltou que essas dificuldades não são novidades para o setor. "É uma preocupação muito grande. Precisamos melhorar nossa produtividade, mas isso exige tempo. A falta de mão de obra, influenciada por várias circunstâncias do setor, dificulta que essa melhoria ocorra de maneira gradual", comentou.
Diante do cenário de juros altos, os empresários notaram que, assim como a atividade, a utilização da capacidade de operação também caiu neste terceiro trimestre, tanto em comparação com o segundo trimestre quanto em relação ao mesmo período de 2025. Outro fator que gera apreensão é o aumento nos custos.
O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), calculado e divulgado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), apresentou uma elevação de 6,64% nos últimos 12 meses, segundo a sondagem da CBIC. Esse aumento foi impulsionado principalmente pelos custos com mão de obra, que subiram 7,78%, além do custo de materiais e equipamentos, que cresceu 6,06%. Ambos os índices estão acima da inflação, que foi calculada em 4,58% pelo IPCA.
Em meio a essas variações de preços e à alta taxa de juros, o setor teve um aumento de 2,99% no número de trabalhadores com carteira assinada no período de 12 meses encerrado em agosto deste ano. Dados do Novo Caged, divulgados pelo Ministério do Trabalho, mostram que o setor da construção fechou agosto com 3,150 milhões de trabalhadores formalizados.
Além disso, o número de novas contratações também cresceu, totalizando 200.431 novas vagas entre janeiro e agosto. Esse aumento é, em grande parte, resultado das obras de infraestrutura, que foram responsáveis pelo maior incremento na geração de empregos, com 79.065 novas vagas, representando uma alta de 26,89% em comparação ao mesmo período do ano anterior.
Analisando os dados por estado, São Paulo se destacou como o líder na criação de vagas em números absolutos, com 34.099 novas oportunidades, especialmente no setor de serviços especializados para a construção civil, que gerou 18.797 novos empregos. Minas Gerais e Bahia também se destacaram, com 25.340 e 15.638 novas vagas, respectivamente.