Queda de 3,1% nas operações via Pix após proibição de apostas
Medida do governo impacta transações, mas valor médio por operação aumenta; entenda as implicações dessa mudança.
02/10/2026, 10h36
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Atualizado há 20 minutos
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Na última semana de setembro, o número de operações realizadas através do Pix sofreu a maior queda para esse período desde 2022. Curiosamente, esse recuo aconteceu exatamente na mesma semana em que o governo federal anunciou uma medida provisória que proibiu as apostas em plataformas de betting no país.
Uma análise realizada pelo GLOBO, com base nos dados do sistema de pagamentos entre os dias 24 e 30 de setembro, revelou que foram registradas 1,57 bilhão de transferências. Isso representa um declínio de 3,1% em relação à semana anterior e uma queda de 7,5% em comparação com a média das três semanas anteriores.
Vale destacar que o prazo para que os parlamentares apresentassem emendas se encerrou na última quinta-feira. Um membro do Partido dos Trabalhadores também mencionou que a TV Globo poderia ficar “chateada” com o fim do setor, considerando a publicidade que estava vinculada às plataformas.
Essa retração foi a mais significativa observada em uma última semana de setembro desde 2022. Contudo, é importante ressaltar que, apesar da proibição das apostas, não é possível atribuir essa mudança exclusivamente à nova legislação. O número de operações e o valor transferido via Pix costumam variar sazonalmente ao longo do mês e do ano. Datas relacionadas ao pagamento de salários, feriados, fins de semana e períodos de maior consumo, por exemplo, podem impactar bastante o volume de transações.
Por lei, as apostas e os pagamentos nas plataformas de betting devem ser realizados exclusivamente via Pix.
As últimas semanas de setembro já apresentavam uma tendência de redução no número de operações em relação à semana anterior. No entanto, a intensidade dessa queda foi maior tanto na comparação entre a última semana e a anterior quanto em relação às três semanas anteriores.
Em anos anteriores, a queda na última semana em comparação à semana anterior variou de 1,9% em 2025 a 2,4% em 2023. Já em 2026, esse índice atingiu 3,1%.
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Quando olhamos para a média das três semanas anteriores do mesmo mês, a diferença se torna ainda mais evidente: a queda de 7,5% em 2026 foi a maior registrada na série de setembro. Até então, o maior recuo havia sido de 6,7% em 2025.
Curiosamente, enquanto o número de transações via Pix diminuiu, isso não se traduziu em uma queda no volume financeiro movimentado. Apesar da redução de 3,1% nas operações em relação à semana anterior, o total de dinheiro transferido cresceu 5,3%. Isso resultou em um aumento de 8,7% no valor médio por operação.
Quando analisamos a última semana em comparação à média das três anteriores, a discrepância continua: o número de operações caiu 7,5%, enquanto o valor movimentado teve uma leve queda de apenas 1,2%. Assim, o valor médio de cada Pix ficou 6,8% maior.
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Esse fenômeno também se manifestou nos dois últimos dias de setembro. Nos dias 29 e 30, que foram uma terça e uma quarta-feira, respectivamente, o número de operações ficou 4,1% abaixo da média dos quatro pares equivalentes anteriores, formados pelos mesmos dias da semana. Em contrapartida, o valor movimentado nesses dias ficou 10,2% acima, resultando em um tíquete médio 14,9% maior.
O resultado também é visível quando consideramos o dia da semana. Nos dias 29 e 30 de setembro, foram realizadas 474 mil transações.