
Protocolo da Cultura Viva para Catástrofes é Lançado na 6ª Teia Nacional
Iniciativa visa fortalecer redes culturais em situações de emergência, promovendo acolhimento e reconstrução social após desastres.
Reprodução Redes Sociais
Em janeiro de 2011, a região serrana do Rio de Janeiro enfrentou um dos momentos mais trágicos de sua história. Chuvas intensas provocaram deslizamentos e enchentes devastadoras, resultando na perda de mais de 900 vidas e deixando cerca de 100 pessoas desaparecidas. As cidades de Nova Friburgo, Teresópolis e Petrópolis foram as mais afetadas. Diante dessa calamidade, um movimento significativo teve início. Organizações e coletivos culturais da Rede Cultura Viva uniram forças para oferecer acolhimento à comunidade, distribuir alimentos e roupas, promover comunicação solidária e realizar atividades artísticas. O objetivo era claro: fortalecer as redes locais e contribuir para a reconstrução social.
A partir dessa dolorosa experiência, surgiu a ideia de desenvolver um protocolo que pudesse reconhecer e fortalecer o papel dos pontos de cultura em comunidades durante situações de emergência e crise socioambiental. Assim, foi criado o Protocolo da Cultura Viva para Situações de Catástrofes Naturais, Climáticas e Pandêmicas. Este protocolo foi oficialmente apresentado no último sábado (23), no quinto dia da 6ª Teia Nacional dos Pontos de Cultura, que aconteceu em Aracruz, no Espírito Santo.
Essa campanha de articulação e incidência política já conta com a adesão de 78 organizações e coletivos, sendo uma iniciativa da Rede Nacional de Pontos de Cultura e Memória Rurais, em parceria com o Pontão de Cultura Territórios Rurais e Cultura Alimentar e o Ministério da Cultura.
O ponto aqui é que a proposta reconhece a importância das organizações culturais como agentes fundamentais de proteção, acolhimento e reconstrução comunitária em tempos de crise climática, sanitária e social. Na prática, essas organizações e coletivos já desempenham um papel ativo em seus territórios durante emergências, mobilizando redes, recursos e conhecimentos locais. Contudo, muitas vezes, essa atuação ocorre sem uma articulação ou reconhecimento institucional adequado.
O Protocolo da Cultura Viva está sendo construído de forma colaborativa, reunindo práticas e experiências dos próprios territórios. Ele organiza princípios e orientações para a atuação em crises climáticas, sanitárias e humanitárias. O objetivo é integrar essas iniciativas com políticas públicas, assegurando um fluxo de comunicação, apoio técnico e financeiro, e, sobretudo, valorizando os saberes locais que são tão essenciais nesse processo.
