Protestos na Europa: Entenda a Mobilização de França a Portugal
Uma onda de manifestações se espalha pela Europa, unindo estudantes e sindicatos em busca de mudanças sociais e econômicas urgentes.
Atualização: 18/10/2026, 10h09
Recentemente, uma onda de protestos tomou conta das ruas de diversos países europeus. O início desse movimento remonta ao mês de setembro, quando estudantes do ensino médio na França decidiram se manifestar. Desde então, a insatisfação se espalhou para a Bélgica, Itália, Grécia e Albânia, enquanto Espanha e Portugal enfrentam suas próprias mobilizações, especialmente em relação ao aumento dos preços da moradia.
Embora os atos não estejam coordenados entre si, é interessante observar que cada país traz suas pautas específicas. Contudo, as reivindicações acabam se sobrepondo em muitos casos, o que ajuda a explicar o crescimento da insatisfação em várias partes do continente ao mesmo tempo.
Um ponto crucial a ser destacado é que a mobilização, que começou entre os estudantes do ensino médio, rapidamente ganhou apoio de sindicatos e ex-membros dos “coletes amarelos”. O governo francês, por sua vez, descarta a possibilidade de um estado de emergência e promete tomar medidas contra aqueles que causarem distúrbios.
O que desencadeou tudo isso? O estopim foi a situação em uma escola de ensino médio em Créteil, na periferia de Paris. Os alunos se manifestaram em meados de setembro, protestando contra prédios deteriorados, salas superlotadas e a falta de professores.
Essa mobilização se espalhou por todo o país, e no último sábado (17), estima-se que cerca de 550 mil pessoas tenham se reunido, segundo informações do governo. Já a central sindical CGT fala em 800 mil participantes, incluindo não apenas estudantes, mas também sindicatos, aposentados, agricultores e ex-coletes amarelos.
Inspirados pelos eventos na França, estudantes de outros países começaram a se mobilizar. Na Itália, por exemplo, algumas escolas promoveram ocupações sob o lema “façamos como na França”.
Entre as queixas mais comuns dos jovens, destaca-se a deterioração do ensino público. Os estudantes franceses, por exemplo, exigem um investimento de 10 bilhões de euros, mais professores e reformas no sistema de acesso às universidades.
Na Bélgica, o foco está nas reformas que aumentam as mensalidades e nas salas lotadas. Enquanto isso, na Albânia, os estudantes universitários reclamam dos altos custos do ensino superior e da falta de perspectivas de emprego após a graduação.
Vale a pena mencionar que, na Península Ibérica, o preço da moradia se tornou o principal motor dos protestos. Na Espanha, as manifestações ganharam força após o despejo de Maricarmen Abascal, uma aposentada de 87 anos que viveu décadas em seu imóvel em Madri e faleceu duas semanas após ser retirada de casa.
Em Portugal, onde os preços dos imóveis mais que dobraram em menos de dez anos, os manifestantes se inspiraram nos acampamentos espanhóis e montaram barracas em praças de Lisboa e Porto. Na Grécia, universitários acamparam diante do Parlamento, exigindo mais alojamento estudantil e protestando contra os altos aluguéis.
Com o passar do tempo, as pautas dos protestos se ampliaram, englobando questões que vão além da educação e da moradia. Agora, sindicatos também estão exigindo salários e aposentadorias melhores, além de preços mais baixos para combustíveis, energia e alimentos.
No fundo, o que levou centrais sindicais às ruas em Portugal foi a mesma insatisfação que transformou os protestos estudantis na França em uma mobilização nacional contra o custo de vida. “Estamos lutando porque o custo de vida está pesado demais, o preço do combustível está alto demais, e estudantes do ensino médio estão sendo atacados e feridos com violência”, afirmam os manifestantes.
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Em diversas cidades europeias, como Milão, Madrid, Lisboa e Tirana, protestos têm ocorrido em resposta a uma variedade de questões, incluindo pensões, habitação, educação, corrupção e oposição à guerra. Na França, apesar das medidas de precaução e do forte dispositivo policial, os protestos resultaram em confrontos violentos, com cerca de 2.400 detenções e quase 1.000 elementos das forças de segurança feridos, além de 100 manifestantes e moradores só em Paris. Na Albânia, os confrontos entre polícia e manifestantes, incluindo estudantes, artistas e partidos da oposição, resultaram em mais de 300 feridos entre manifestantes e agentes da polícia. Na Itália, cidades como Milão, Roma e Nápoles testemunharam milhares de manifestantes nas ruas, resultando em nove detenções e 371 pessoas retidas temporariamente, das quais 110 eram menores. Em Madrid, as principais reivindicações incluem a indexação das pensões à inflação real e a proteção do sistema público de pensões de privatizações. Em Portugal, a habitação acessível permanece como a principal reivindicação.
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Apesar das medidas de precaução, das proibições e do forte dispositivo policial, os protestos provocaram confrontos violentos em várias cidades francesas: cerca de 2 400 pessoas foram detidas e quase 1 000 elementos das forças de segurança ficaram feridos, tal como 100 manifestantes e moradores, só em Paris.
Na Albânia, registraram-se confrontos entre polícia e estudantes, artistas e partidos da oposição. Milhares de pessoas se concentraram para um novo protesto antigovernamental na capital, Tirana, com a polícia disparando gás lacrimogêneo para dispersar a multidão. No mais recente de vários confrontos entre polícia e manifestantes desde meados de outubro, edifícios governamentais foram atacados e dezenas de manifestantes foram detidos. As autoridades referiram que mais de 300 manifestantes e agentes da polícia ficaram feridos.
Na Itália, houve confrontos entre manifestantes e polícia em várias cidades. Milhares de pessoas saíram às ruas em Milão, Roma, Turim, Nápoles, Bolonha e Florença, com manifestantes atirando garrafas, pedras e petardos. A polícia italiana informou, em comunicado, que efetuou nove detenções e reteve temporariamente 371 pessoas durante protestos em oito cidades no sábado. Do grupo de pessoas levadas às esquadras, 110 eram menores, acrescentou a nota.


