
Protestos na Albânia contra hotel de luxo da família Trump
Milhares de albaneses se mobilizam contra construção de hotel em área protegida, exigindo transparência do governo e renúncia do primeiro-ministro Edi Rama.
ns aéreas captadas por drone mostram manifestantes agitando bandeiras nacionais albanesas em protesto contra o governo, após semanas de manifestações contra um resort de luxo planejado por uma empresa ligada a Jared Kushner, genro do presidente dos EUA, Donald Trump, em uma área ambientalmente sensível da costa do Adriático, em Tirana, Albânia, 4 de julho de 2026. REUTERS/Florion Goga
No último sábado, 4 de julho de 2026, Tirana, a capital da Albânia, foi palco de um grande protesto, reunindo dezenas de milhares de pessoas. Este ato, o maior até agora, visa se opor a um polêmico projeto turístico associado à família do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O projeto envolve a construção de um hotel de luxo em uma área protegida, gerando forte descontentamento entre os cidadãos.
Esse protesto foi o 35º consecutivo desde o início das manifestações, que começaram no final de maio. Os alvos da insatisfação incluem a filha de Trump, Ivanka, e seu genro, Jared Kushner, diretamente envolvidos no empreendimento situado em uma reserva natural da costa albanesa.
Os manifestantes se opõem não apenas à construção, mas também exigem a renúncia do primeiro-ministro Edi Rama, citando a falta de transparência do governo em relação ao projeto. O movimento, nomeado “Revolução dos Flamingos”, faz alusão às aves que migram para essa reserva, um ponto de referência importante.
A manifestante Alketa Ademi, de 40 anos, compartilhou sua perspectiva com a agência de notícias France Presse (AFP). Para ela, o movimento reflete um descontentamento mais amplo em relação ao governo: “Falta de transparência, arrogância. Chega. O primeiro-ministro tem que sair”, afirmou. Os manifestantes alegam que o hotel tem um custo estimado em US$ 4,6 bilhões (cerca de R$ 23,7 bilhões) e que sua construção traz sérios riscos ambientais para uma lagoa próxima, vital para várias espécies de aves migratórias.
Vale lembrar que essa oposição já resultou em confrontos nas ruas de Tirana. Na quinta-feira anterior ao protesto de sábado, a polícia precisou usar bombas de gás lacrimogêneo e jatos d'água para conter manifestantes que tentavam se aproximar da sede do Parlamento albanês. Em resposta, alguns manifestantes atiraram ovos, pedras e outros objetos em direção aos policiais. As autoridades relataram que cerca de 15 agentes ficaram feridos e 25 manifestantes foram detidos durante esse tumulto.


