Protestos Estudantis Marcam Debate Orçamentário na França
Em meio a manifestações, a Assembleia Nacional discute orçamento escolar de 2027, enquanto estudantes exigem melhorias nas condições de ensino.
Na terça-feira passada, 11 de outubro, a França viveu mais um dia significativo de manifestações. Estudantes e representantes de sindicatos tomaram as ruas para expressar suas preocupações sobre as condições de ensino e o financiamento das escolas. Esse protesto ocorreu em um momento crucial, já que a Assembleia Nacional iniciava o debate sobre as propostas de orçamento do governo para 2027.
Os sindicatos de professores, ao falarem com a Euronews, manifestaram sua insatisfação com a resposta do governo. Eles destacaram questões como a duração excessiva dos dias letivos, a superlotação das turmas, as instalações em péssimas condições e a falta de docentes. “As respostas apresentadas são claramente insuficientes e não atendem às necessidades que identificamos”, afirmou Elisabeth Allain-Moreno, secretária-geral do SE UNSA, o sindicato de professores.
O ministro da Educação, Édouard Geffray, havia anunciado no dia 8 de outubro que 3.000 professores suplentes seriam alocados até terça-feira em mais de 500 escolas prioritárias, como uma forma de lidar com as ausências. No entanto, na terça-feira, ele revelou que apenas 35% desse objetivo havia sido alcançado.
Morgane Verviers, secretária-geral da UNSA Éducation, comentou: “Estamos diante de uma geração que traz reivindicações que já destacamos há anos, lutamos por elas e, até agora, não foram ouvidas.”
A proposta orçamentária do governo inclui um aumento de 1,2 bilhões de euros para o Ministério da Educação Nacional, em um momento em que a França enfrenta um dos maiores déficits públicos da zona do euro. Contudo, críticos argumentam que esse aumento é insuficiente, uma vez que representa um crescimento de apenas 1,6%, que fica abaixo da inflação prevista de 1,8%.
Sabrine Kharbach, porta-voz da l'Union Étudiante, o maior sindicato estudantil do país, expressou a sensação de que o governo subestima a capacidade dos estudantes de entender questões orçamentais. “Eles acham que os jovens não estão cientes da economia e do que está acontecendo. Mas nós percebemos, especialmente quando vemos que mais 400 bilhões de dólares estão sendo destinados às forças armadas”, disse Kharbach à Euronews. O governo francês, conforme a Lei de Programação Militar (LPM), alocou um orçamento total de 413,3 bilhões de euros para as forças armadas entre 2024 e 2030.
“Precisamos nos perguntar se estamos investindo na morte ou no futuro”, acrescentou.
Uma estudante do ensino secundário expressou a frustração de sua geração, que sente não ser levada a sério, apesar de ser “o futuro de França”. “Não podemos ignorar os problemas, especialmente nas escolas secundárias periféricas, que realmente carecem de financiamento”, afirmou.
A ativista sueca Greta Thunberg também se juntou aos protestos na terça-feira, comentando à agência AFP que “os jovens não estão sendo incluídos na conversa.” “O nosso futuro está a ser-nos roubado”, enfatizou Thunberg, que visitou a França em um contexto de crescente descontentamento entre os estudantes Greta Thunberg apoia estudantes franceses em protesto esc... franceses.
Atualizado há menos de 1 hora
As forças de segurança preparam-se para um novo dia de manifestações, no sábado, 17 de outubro e o governo já lançou um aviso. “O presidente da República insistiu que os jovens exprimem angústias legítimas, mas que essas angústias são exploradas politicamente e transformadas em violência urbana, com cenas inaceitáveis”, declarou Maud Bregeon, porta-voz do governo. Desde o início do movimento, mais de 6 800 pessoas, 86 % delas menores, foram detidas para interrogatório e 36 inquéritos foram abertos pela Inspetoria Geral da Polícia Nacional (IGPN), a chamada “polícia das polícias”.
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Para tentar acalmar a revolta dos alunos, o governo fez vários anúncios, como a chegada de 3.000 professores substitutos a alguns estabelecimentos de ensino. As medidas foram consideradas insuficientes pelos alunos do secundário.
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O movimento de protestos continua a crescer na França, com mais de 480.000 manifestantes saindo às ruas em todo o país, de acordo com a intersindical de alunos do ensino secundário e universitário. Os protestos têm sido marcados por episódios de violência, incluindo um adolescente que perdeu uma mão e mais de 6.800 jovens detidos temporariamente pela polícia. Segundo o governo, 147 membros do pessoal da Educação Nacional ficaram feridos e foram abertas quase 40 investigações sobre alegados atos de violência cometidos pela polícia contra manifestantes. Figuras públicas, como o ator Omar Sy, têm manifestado apoio aos protestos. Sy criticou a resposta das autoridades, enfatizando a importância de ouvir as reivindicações dos estudantes. Ele destacou a necessidade de adultos responsáveis refletirem sobre seu papel e o impacto de suas ações sobre os jovens.
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As forças de segurança preparam-se para um novo dia de manifestações, no sábado, 17 de outubro, e o governo já lançou um aviso. Segundo uma fonte próxima do Ministério do Interior francês, estão previstas, para sábado, 500 ações em todo o território, além de cerca de 90 manifestações. Estes protestos surgem após quatro semanas de mobilizações estudantis por diversos motivos, entre eles a falta de professores, turmas superlotadas e instalações obsoletas.
A maioria das manifestações estudantis decorreu de forma pacífica, mas registaram-se confrontos com grupos de arruaceiros e críticas generalizadas a alegados casos de violência e brutalidade policial. Antes dos protestos de sábado, as autoridades admitem a possibilidade de incidentes violentos em Paris e noutras grandes cidades.
Emmanuel Macron afirmou que, embora o direito à manifestação "esteja plenamente garantido", tem de ser acompanhado por "respeito pelas pessoas e pelos bens". "Por isso apelo à calma e ao respeito: estes direitos têm de ser preservados", sublinhou.
As forças de segurança francesas têm sido alvo de um escrutínio crescente nas últimas semanas, na sequência de várias denúncias de violência policial. Num dos casos, um estudante de 15 anos terá perdido um olho após ser atingido por uma bala de borracha disparada pela polícia. Noutro incidente, um jovem de 14 anos terá perdido uma mão ao apanhar uma granada de dispersão policial. As circunstâncias de ambos os episódios continuam a ser investigadas.
O ministro do Interior, Laurent Nuñez, afirmou que o recurso a granadas de dispersão será autorizado em 17 de outubro se houver "violência urbana grave" nas margens das manifestações, ressalvando que estas granadas "nunca são usadas quando tudo corre bem".


