Protestos em Tirana: Polícia usa balas de borracha e prende centenas
No quinto dia de manifestações em Tirana, estudantes exigem mudanças enquanto a polícia responde com força, resultando em centenas de detenções.
No último sábado, dia 15 de outubro de 2026, estudantes e outros manifestantes se reuniram em frente ao Ministério da Educação, em Tirana. Esse ato marcou o quinto dia de protestos contra o governo albanês. Os protestos, que se espalharam por diversas cidades do país, ganharam força depois que alunos do ensino secundário e universitários se uniram a um movimento mais amplo que pede a saída do primeiro-ministro socialista, Edi Rama, em meio a alegações de corrupção. Entre as principais reivindicações dos estudantes estão a melhoria do ensino, um suporte financeiro mais robusto e melhores oportunidades de emprego. Esse movimento também é impulsionado pela resistência a um polêmico projeto de turismo de luxo que tem ligação com Jared Kushner, o genro do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Na capital, os ânimos se acirraram. Confrontos violentos foram registrados, com manifestantes lançando pedras em direção à polícia, que respondeu com gás lacrimogêneo, conforme noticiou a Euronews Albânia. Para tentar controlar a situação, a polícia mobilizou duas viaturas equipadas com canhões de água e utilizou balas de borracha. Embora os protestos tenham sido dispersos temporariamente, os manifestantes logo retornaram, reiniciando os ataques contra os agentes. O primeiro-ministro Edi Rama declarou que apoia o direito dos estudantes e cidadãos de protestar, mas condenou a ação de indivíduos encapuçados que vandalizam estabelecimentos comerciais, afirmando que esses atos são crimes. Ele assegurou que aqueles que causarem danos a propriedades serão responsabilizados. De acordo com a polícia albanesa, 167 pessoas foram detidas e 132 policiais ficaram feridos durante esses cinco dias de tensão. Além disso, sete agentes foram suspensos enquanto investigações sobre denúncias de uso excessivo da força estão em andamento, segundo Skender Hita, diretor-geral da polícia. Rama, que está no poder desde 2013 e cumpre seu quarto mandato, afastou a possibilidade de renunciar e acusou seus opositores conservadores de provocarem os confrontos. “Não permitirei que ninguém comprometa o futuro deste país… não para o benefício político daqueles que usam suas mãos maldosas para semear desordem e destruição”, afirmou ele em uma mensagem em vídeo. “A minha responsabilidade é clara nestes tempos difíceis: proteger nossos cidadãos, garantir justiça e fazer a Albânia avançar”, concluiu.


