Protestos de Professores Romenos Contra Austeridade do Governo
Os professores deste país da Europa de Leste, com quase 19 milhões de habitantes, ameaçaram entrar em greve se o governo implementar as medidas.

Na última semana, um grande número de professores e funcionários da educação na Romênia se manifestou nas ruas, insatisfeitos com as novas medidas de austeridade propostas pelo governo. A manifestação em Bucareste, que ocorreu na quarta-feira, foi uma reação à aprovação, pelo governo de coligação liderado pelo primeiro-ministro Ilie Bolojan, de dois pacotes de austeridade que visam reduzir o déficit orçamentário. Essas medidas incluem um corte de 10% no fundo salarial das instituições públicas, algo que gerou grande preocupação entre os educadores. Com uma população de aproximadamente 19 milhões de habitantes, os professores romenos expressaram sua determinação ao ameaçar entrar em greve caso as medidas sejam realmente implementadas.
Um dos manifestantes destacou: “Os fundos destinados ao Ministério da Educação já foram cortados em 600 milhões de lei (cerca de 117,8 milhões de euros). Essas reduções já estão em vigor; por isso, estamos aqui nas ruas, para evitar que o terceiro pacote de austeridade entre em ação.” Outro participante da manifestação enfatizou a necessidade de mais investimentos na educação, afirmando que “a falta de financiamento e os cortes na educação continuam, embora, para ter um futuro, este país precise de mais dinheiro investido na educação.” As preocupações sobre como essas novas decisões impactarão as condições de trabalho nas escolas e universidades também foram um tema recorrente. Um funcionário universitário, por exemplo, comentou: “No ano passado, aumentaram as taxas de acesso ao ensino superior e agora dizem que isso não vale nada e que precisamos cortar em 10% novamente.”
Liviu-George Maha, reitor da Universidade de Iași, também se fez ouvir. Ele explicou à Euronews que “as universidades geram suas próprias receitas, além das propinas.” No entanto, quando essas receitas não puderem ser utilizadas, a pressão recairá sobre o orçamento do Estado. “Na ausência de recursos financeiros, será cada vez mais difícil financiar a educação”, completou Maha.
A situação na Romênia também foi comparada à da Ucrânia, onde, apesar da guerra, os orçamentos para a educação foram aumentados. Mihnea Costoiu, reitor da Universidade Politécnica de Bucareste, questionou: “Se um país em guerra aumenta os salários dos professores e as bolsas de estudo dos estudantes, que explicação pode ter qualquer outro país que não esteja em guerra?” Ele acrescentou que é essencial investir em quem pode realmente ajudar a tirar o país de suas dificuldades. A manifestação reflete um descontentamento profundo, com três sindicatos se unindo à causa em defesa da educação.


