Propostas para Mulheres nos Planos de Governo: Estudo Revela Lacunas

Propostas para Mulheres nos Planos de Governo: Estudo Revela Lacunas

Levantamento do Instituto Update aponta que, apesar de avanços, a participação política feminina ainda é negligenciada nas candidaturas à presidência.

•3 min de leitura•Fonte original

© Rovena Rosa/Agência Brasil

Um levantamento realizado pelo Instituto Update, focado em 12 candidaturas à Presidência da República, revela que as propostas voltadas às mulheres estão presentes em vários espectros políticos, concentrando-se principalmente em quatro áreas: violência, saúde e cuidado. Entretanto, é importante notar que questões relacionadas à participação política, à presença feminina nos espaços de poder, à segurança em ambientes públicos e à autonomia não têm recebido a atenção necessária. Carol Althaller, diretora executiva do Instituto Update, comentou: “Os programas reconhecem problemas que afetam diretamente as mulheres, mas avançam menos quando se trata de incorporá-las como sujeitos de decisão e de pensar sua experiência cotidiana de forma mais ampla.” A análise se concentrou em propostas que estavam claramente ligadas às mulheres, excluindo políticas universais de segurança, emprego, saúde, educação ou transporte, que não foram consideradas automaticamente como voltadas para elas. Outro ponto relevante destacado por Carol é a diferença entre a simples menção de um tema e a apresentação de uma proposta estruturada. Em muitos casos, embora existam referências importantes, falta um detalhamento sobre como implementar essas ideias, as metas a serem atingidas, os instrumentos a serem usados ou como essas propostas se articulam com políticas existentes. A pesquisa concluiu que as mulheres são mais frequentemente vistas como destinatárias de políticas do que como participantes ativas no poder. Na pesquisa "Mulheres em Diálogo" realizada em 2025, 72% das mulheres entrevistadas expressaram total concordância com a ideia de que a representação feminina em cargos políticos deve aumentar. Contudo, apenas um candidato apresentou uma proposta específica voltada para a participação político-eleitoral das mulheres, que inclui o combate à violência política de gênero, a formação de candidatas e lideranças, além de diretrizes relacionadas ao financiamento partidário. Curiosamente, essa pauta, que conta com forte apoio entre o público feminino, é uma das menos abordadas nos programas presidenciais. Se ampliarmos o critério para considerar a presença de mulheres em posições de liderança e decisão, um segundo candidato também se destaca, apresentando propostas de incentivo à liderança feminina e o compromisso de nomear mulheres para vagas disponíveis no Supremo Tribunal Federal. “A segurança é um ótimo exemplo”, enfatizou Carol. “Em uma pesquisa recente realizada pelo Instituto Update e pelo Fogo Cruzado, 70% das mulheres concordam total ou parcialmente que elas têm melhores ideias e soluções para a segurança pública. Esse dado evidencia que elas reconhecem o valor das experiências e das respostas elaboradas por outras mulheres.” No entanto, Carol ressalta que ainda existe uma lacuna entre o reconhecimento que as mulheres têm de sua própria capacidade de formular soluções e o espaço que essa perspectiva ocupa nos programas. Dos 12 planos analisados, nove, ou 75%, contêm propostas explícitas sobre violência contra mulheres, feminicídio ou proteção às vítimas. Se o critério fosse ampliado para incluir todas as propostas sobre violência doméstica, independentemente do recorte de gênero, esse número subiria para 10 de 12 planos. A pesquisa indica que, embora a violência contra mulheres seja a agenda mais disseminada, ainda há muito a ser feito para garantir que as propostas sejam realmente implementadas e que as vozes femininas sejam ouvidas nas decisões que as afetam.

Compartilhar: