/https://i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2025/A/5/JDFL1AQCiztOqu7ei1NA/2025-07-07t140015z-1716943176-rc2xpdadxc24-rtrmadp-3-usa-bonds-corpbonds.jpg)
Pressão de Trump sobre Brasil visa influenciar eleições na América Latina
Estudo revela como a estratégia tarifária dos EUA busca moldar processos eleitorais na América Latina, com foco no Brasil em 2026.
de arquivo: Trump mostra tabela do tarifaço em 2 de abril de 2025 — Foto: Reuters/Carlos Barria/File Photo
Por Redação g1
19/09/2026, 04h00
Atualizado em 19/09/2026
Nesta quinta-feira (17), o Brasil decidiu rejeitar 52 exigências feitas pelos Estados Unidos relacionadas à reversão de tarifas. Um dos pontos mais controversos foi a proposta que pedia a inclusão de "dissidentes políticos" nas eleições de 2026.
O professor Oliver Stuenkel, especialista em Relações Internacionais, argumenta que a pressão tarifária dos EUA sobre o Brasil faz parte de uma estratégia mais ampla para influenciar os processos políticos em toda a América Latina.
Ele observa que o governo de Donald Trump já havia tentado interferir nas eleições de países como Argentina e Honduras, além de pressionar por decisões em nações como Peru e Panamá. E essa pressão não se limita à América Latina: os Estados Unidos também atuaram sobre a Alemanha, Austrália e Canadá. No caso desses dois últimos, essa interferência acabou prejudicando candidatos que eram aliados de Trump.
A administração Trump tem intensificado suas tentativas de influenciar processos eleitorais em outros países, e o Brasil é apenas mais um exemplo dessa abordagem, como destacou Stuenkel em uma entrevista ao podcast "O Assunto".
Essa análise surge no contexto das negociações em que os EUA enviaram uma lista de 52 exigências ao Brasil, esperando reverter o aumento das tarifas. Entre as condições estava a garantia de que "dissidentes políticos" pudessem participar das eleições de 2026. Essa informação foi inicialmente divulgada pelo jornal "O Estado de S. Paulo" e posteriormente confirmada pela GloboNews através de fontes diplomáticas.
O governo brasileiro não hesitou em rejeitar essa e outras demandas, afirmando que questões de natureza política, judicial e de soberania não estariam em discussão nas negociações.
Stuenkel ressalta que o conteúdo desse documento indica que a política tarifária dos EUA está sendo utilizada para fins que vão além do comércio puro e simples.
Ele enfatiza que o que está ocorrendo no Brasil não é um caso isolado. "O que estamos testemunhando é parte de um projeto que se aplica a toda a América Latina", declarou. O que realmente se destaca, segundo ele, é a clareza dessas ameaças, algo que não é comum em relações desse tipo.
O professor também cita dois exemplos específicos de pressão americana nas eleições da região. Na Argentina, Trump mostrou preferência por um dos lados durante as eleições legislativas do ano passado, insinuando que a ajuda dos EUA ao país poderia não se manter caso o grupo político adversário ao atual presidente, Javier Milei, fosse vitorioso.
Stuenkel recorda que esteve na Argentina naquele período e acredita que o apoio dos EUA pode ter influenciado positivamente os resultados para Milei, especialmente em um momento em que a moeda local enfrentava fragilidades.
O segundo exemplo mencionado é o de Honduras. Segundo o professor, Trump deixou claro que uma grave crise nas relações bilaterais poderia ocorrer caso seu candidato preferido, Nasry Asfura, não fosse eleito. Dada a dependência de Honduras em relação aos Estados Unidos, essa declaração poderia ter impactado a decisão do eleitorado.
Foto de arquivo: Trump durante evento