Porta-aviões francês avança para o sul do Suez antes de missão em Ormuz
França e Reino Unido preparam operação conjunta no Estreito de Ormuz, em resposta a tensões no Oriente Médio.

O grupo de ataque do porta-aviões francês Charles de Gaulle está em movimento em direção ao sul do Canal do Suez, rumo ao Mar Vermelho. Essa manobra faz parte de um plano conjunto entre França e Reino Unido para o Estreito de Ormuz, conforme relataram as forças armadas francesas na última quarta-feira.
Esse reposicionamento do porta-aviões, juntamente com suas escoltas, representa a etapa mais recente de uma missão no Oriente Médio, divulgada pelo presidente francês Emmanuel Macron em um discurso televisionado no dia 3 de março. Isso ocorreu um dia antes do Irão fechar o estreito. Ao se deslocar para o sul do Suez, o único porta-aviões francês se aproxima de um ponto estratégico no Golfo Pérsico, onde normalmente transita cerca de um quinto do petróleo do mundo, atualmente sob interrupção do tráfego comercial pelo Irão.
"Essa movimentação para o sul do Suez é uma novidade para nós", comentou o coronel Guillaume Vernet, porta-voz do chefe do Estado-Maior das Forças Armadas francesas. "Geograficamente, estamos mais próximos do Estreito de Ormuz, o que nos permitirá reagir mais rapidamente assim que as condições se tornem favoráveis." No entanto, Vernet enfatizou que a coligação ampliada de Ormuz, composta pela França, Grã-Bretanha e mais de 50 países, começará a operar somente quando dois critérios forem atendidos: a ameaça à navegação precisa diminuir e a indústria marítima deve ter segurança suficiente para utilizar o estreito.
Ele também ressaltou que qualquer operação exigirá a anuência dos países vizinhos. "Atualmente, o Estreito de Ormuz está bloqueado devido à ameaça, e os seguros estão exorbitantes. Nenhum navio se arrisca a fazer essa viagem ou a ir para lá", explicou. A operação francesa se distingue do "Projeto Liberdade", a missão de escolta dos EUA que começou no domingo e já enfrentou ataques iranianos e desafios ao cessar-fogo estabelecido em 8 de abril. "É uma missão distinta da dos EUA", reforçou Vernet, descrevendo o plano franco-britânico como defensivo e alinhado com o Direito Internacional.
Em uma cúpula realizada em Paris no dia 16 de abril, Macron e o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, se reuniram com representantes de mais de 50 países, enquanto os planejadores militares de mais de 30 nações finalizaram os detalhes operacionais durante uma conferência organizada pelo Reino Unido no final do mesmo mês. "O planejamento está feito e pronto para ser colocado em prática", afirmou Vernet.
O Irão fechou o estreito em 4 de março, após uma série de ataques conjuntos dos EUA e de Israel, que começaram em 28 de fevereiro, resultando na morte do líder supremo iraniano, Ayatollah Ali Khamenei. Desde então, os custos dos seguros de risco de guerra dispararam, aumentando de quatro a cinco vezes em relação aos níveis anteriores ao conflito, segundo estimativas da indústria, e cerca de 2.000 navios permanecem retidos no Golfo.
O Charles de Gaulle foi ativado a partir do Báltico no dia 3 de março, como parte do que a França classificou como uma mobilização "sem precedentes", que também inclui oito fragatas e dois navios de assalto anfíbio da classe Mistral. Essa movimentação do porta-aviões é parte de um cenário complexo que continua a se desenrolar na região.