Por que Michelle Bolsonaro não compareceu ao evento do 7 de setembro?
Aliados afirmam que a ausência de Michelle na Paulista se deve a restrições impostas pelo STF, afetando sua rotina e cuidados com Jair Bolsonaro.
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07/09/2026, 13h56 Atualizado 07/09/2026, 13h56
A ex-primeira dama Michelle Bolsonaro, aguardada pela cúpula do PL durante a manifestação do 7 de setembro, não pôde comparecer ao evento. Segundo aliados, a razão é que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), não decidiu sobre o pedido da defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro, que solicita a liberação de Michelle para cuidar do marido, atualmente em prisão domiciliar. Há suspeitas de que a intenção do ministro seja "prender" o casal.
A senadora Damares Alves (Republicanos), uma das principais aliadas de Michelle, destacou a dificuldade da situação: “Se ela fosse ao ato, ficaria no mínimo dez horas fora de casa. Ela é responsável pelos cuidados dele. Posso dizer que a Michelle é praticamente a carcereira dele. Cuida da rotina dele, da ‘cela’ dele”, comentou. Damares ainda mencionou que a ex-primeira dama não quis se candidatar a senadora devido a essa responsabilidade. “Não está fácil. E o Moraes não autorizou ninguém a cuidar dele. O Alexandre quer prender os dois”, finalizou.
Aliados e pessoas próximas a Michelle temem que sua ausência em casa seja interpretada como um sinal de que Jair não está recebendo os cuidados adequados, o que poderia reforçar a ideia de transferi-lo para um presídio.
O advogado João Henrique Nascimento já fez um pedido à Justiça para que Bolsonaro possa ser assistido por outra pessoa, permitindo que Michelle faça viagens. Contudo, segundo informações de fontes próximas, esse pedido ainda não foi analisado.
“Para ir a São Paulo, mesmo que seja em uma aeronave particular, seria um dia inteiro fora. E quem ficaria cuidando do Jair? Às vezes, as pessoas não percebem que isso não é uma brincadeira. Ela não pode ficar mais de três horas fora de casa”, argumentou uma aliada.
Michelle relatou a interlocutores que sua rotina se tornou praticamente "asfixiante" devido às condições da prisão domiciliar do marido. Ela foi uma das responsáveis por articular a transferência de Jair para a prisão domiciliar e teve conversas diretas com o ministro para discutir essa mudança. Um aliado, em conversa reservada, caracterizou a decisão de Moraes como um "abraço de sucuri" e um "presente de grego" para Michelle, já que as restrições também se aplicaram a ela.
Desde que o ex-presidente começou a cumprir a pena em casa, Michelle assumiu os cuidados diários, incluindo alimentação e administração de medicamentos. Aliados afirmam que essa nova rotina tem gerado limitações em suas viagens, compromissos políticos e até mesmo na participação em cultos religiosos.
Damares revelou que, neste feriado de 7 de setembro, Michelle ficará em casa, em Brasília. “Hoje pela manhã, por exemplo, ela preparou a comida do Jair, passou aqui na igreja para orar e agora está voltando para casa para dar continuidade aos cuidados”, disse.