No norte do Rio Grande do Sul, diversas aldeias do povo Kaingang se entrelaçam por meio de histórias, memórias e desafios compartilhados. É nesse rico contexto que surgiu o Ponto de Cultura Kanhgág Jãre, com a missão de fortalecer as raízes e as tradições desse povo. Criado em 2005, o Ponto de Cultura Kanhgág Jãre emerge da atuação do Instituto Kaingáng, reconhecendo uma potência que já estava presente nas comunidades.
A Importância da Cultura Viva
Inspirado pela política Cultura Viva, esse trabalho visa valorizar as práticas que já fazem parte do cotidiano dessas comunidades. O Ponto de Cultura Kanhgág Jãre terá um papel importante na 6ª Teia Nacional dos Pontos de Cultura, que acontecerá em Aracruz (ES), entre os dias 19 e 24 de maio de 2026, com o tema “Pontos de Cultura pela Justiça Climática”.
Saberes e Memórias Kaingang
A gestora Susana Fakój Kaingang ressalta que a iniciativa está fundamentada nos saberes e memórias do povo Kaingang, colocando em destaque a figura dos mestres e anciãos, verdadeiros guardiões da cultura. O líder espiritual Kujá Pedro Garcia também destaca a relevância de ensinar rituais e as línguas maternas, uma forma de reafirmar a ancestralidade vital para a identidade do povo.
Impacto nas Novas Gerações
O trabalho realizado busca, na prática, restaurar significados e aumentar a autoestima e o sentimento de pertencimento dos jovens. Além disso, promove oficinas de artesanato e capacitação de professores indígenas, criando um espaço para o diálogo com a sociedade não indígena, com o intuito de desmistificar estereótipos. O impacto dessa iniciativa se reflete nas trajetórias dos jovens, que começam a se reconhecer como indígenas com orgulho e a valorizar sua herança cultural.