Ponto de Cultura do Pará: Artista Internacional e Tese de Mestrado
O Pontal Instituto Cultural transforma Marabá e inspira pesquisa sobre cultura e arte no Pará.
Um galpão que já abrigou uma siderúrgica se transformou em um dos principais centros de produção cultural do estado do Pará. A Associação dos Artistas Visuais do Sul e Sudeste do Pará, conhecida como Pontal Instituto Cultural, foi fundada em 2005 como um Ponto de Cultura, mas sua história remonta a 1998. Essa trajetória rica e significativa inspirou uma dissertação de mestrado de uma das idealizadoras do espaço, Deise Botelho, que é também filha do antigo proprietário do galpão. Sua pesquisa faz um resgate histórico que começa na década de 1970, narrando o movimento artístico e cultural no sudeste do Pará, além de analisar o projeto Cultura Viva e os impactos que o Ponto de Cultura teve no avanço da política cultural local.
Localizado em Marabá, o Pontal Instituto Cultural marcará presença este ano na 6ª Teia Nacional, que ocorrerá entre os dias 19 e 24 de maio na cidade de Aracruz, no Espírito Santo. Esse movimento começou em 1997, envolvendo diversos artistas de diferentes linguagens, incluindo Deise, que tem sua origem na música. O antigo galpão agora é reconhecido como o Galpão de Arte de Marabá, um verdadeiro espaço de pertencimento para todas as vertentes artísticas. Ali, várias associações foram criadas, como a Associação dos Músicos e Poetas, a Associação dos Artistas Visuais e a Associação dos Artesãos, além de grupos de dança. Não é à toa que esse local se tornou uma referência no estado, integrando-se à Rede Nacional Cultura Viva em 2005.
Entre as muitas histórias inspiradoras de jovens cujas vidas foram transformadas pelo projeto, destaca-se a de Marcone. Quando tinha apenas 14 anos, ele começou a frequentar o Galpão das Artes de Marabá e se identificou profundamente com as artes visuais. Anos depois, Marcone Moreira se tornou um artista reconhecido, com exposições em diversos estados e até em outros países, além de ser o atual presidente da instituição. O trabalho realizado tem gerado frutos significativos. Em agosto, ele lançará um livro intitulado "Cultura Viva na Amazônia", que abordará o movimento artístico de Marabá e a importância do Cultura Viva.
Deise relembra que, até pouco tempo atrás, o sudeste do Pará parecia distante do Ministério da Cultura. No entanto, a chegada de um edital de certificação dos Pontos de Cultura ajudou a encurtar essa distância. Para ela, uma das realizações mais significativas de ter ingressado na Rede foi perceber que o Pontal não estava sozinho em sua visão progressista sobre a cultura. O grupo já desenvolvia iniciativas que ligavam cultura e meio ambiente, cultura e educação, sempre valorizando a diversidade cultural e as diferenças.
Desde 2005, a associação tem estabelecido várias parcerias, como com o programa Rumos, do Itaú Cultural, e com diversas instituições de ensino superior. A transformação da Universidade Estadual do Pará em uma universidade federal resultou na implantação do curso de Artes Visuais, respondendo aos avanços já em curso na região. Essa iniciativa contribuiu para a integração das ações culturais na localidade e aproximou a universidade dos agentes culturais, criando um ciclo de colaboração e desenvolvimento.
