
Pix: mais do que transferências, uma força para o empreendedorismo no Brasil
Ricardo Moraes / Reuters)
16/08/2026, 10h33
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Atualizado há 26 minutos
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Uma análise econométrica, que se baseia em dados do sistema de pagamentos e do mercado de trabalho brasileiro, revela que o Pix, junto com melhorias mais amplas na infraestrutura de pagamentos, tem sido um fator importante na expansão do empreendedorismo no Brasil nos últimos anos.
“Os resultados ressaltam a importância do desenho do sistema de pagamentos como uma ferramenta de política econômica, especialmente em economias emergentes, onde a digitalização pode abrir novas oportunidades para o trabalho autônomo e empreendimentos de pequeno porte", destacam os pesquisadores que realizaram o estudo.
Esse trabalho foi liderado por Claudio de Moraes, professor de macroeconomia e finanças no Instituto de Pós-Graduação e Pesquisa em Administração (Coppead) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Além disso, ele também atua no Banco Central, na área de estabilidade financeira. Junto a ele, está Aristides Andrade Cavalcante Neto, chefe do Departamento de Gestão Estratégica e Supervisão Especializada (Degef) do BC.
A análise examinou a relação entre os dados do sistema de pagamentos e uma proxy de empreendedorismo desenvolvida pelos autores, que considera a proporção entre o número de trabalhadores autônomos e a população economicamente ativa. As séries de dados foram extraídas do Sistema Gerenciador de Séries Temporais (SGS) e têm como base informações da Pnad Contínua, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Foram levados em conta dados mensais que vão de março de 2012 até agosto de 2025.
O modelo inclui uma variável que demarca o início das operações do Pix, em 2020, e o volume de transações mensais realizadas com essa ferramenta. Além disso, considera o hiato do produto, a taxa básica de juros e o total de transações no sistema de pagamentos como variáveis de controle.
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“Os dados indicam que o Pix tem um efeito positivo e estatisticamente significativo sobre o empreendedorismo. Em todas as análises realizadas, o coeficiente da variável Pix se mostra positivo e altamente relevante, confirmando a hipótese de que o Pix impacta a economia ao aumentar o número de trabalhadores autônomos, nossa proxy de empreendedorismo", afirmam os autores do estudo.
Os autores ressaltam que esse efeito positivo do Pix sobre o empreendedorismo se mantém, mesmo em análises que levam em consideração o ciclo econômico, a política monetária e a atividade geral do sistema de pagamentos.
"Como era de se esperar, um hiato do produto positivo está ligado a uma maior atividade empreendedora, enquanto os aumentos na taxa de juros tendem a inibi-la. O coeficiente positivo do total de transações de pagamentos sugere ainda que uma infraestrutura de pagamentos mais ativa cria condições favoráveis para o empreendedorismo."