
PIB desacelera, revelando que a economia está mais sensível aos juros do que se pensava
Reprodução Redes Sociais
01/09/2026, 10h56
Atualizado há 11 minutos
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Nos primeiros três meses de 2026, o Produto Interno Bruto (PIB) registrou um crescimento de 1,1%. Já no segundo trimestre, esse avanço foi um pouco mais modesto, com uma alta de 0,5%, superando levemente as expectativas do mercado.
Contudo, ao analisarmos os dados mais a fundo, percebemos uma desaceleração nos setores mais sensíveis às variações das taxas de juros. Isso corrobora o que outros indicadores já haviam apontado: a economia está enfrentando uma desaceleração significativa.
O crescimento do PIB no segundo trimestre foi quase que exclusivamente impulsionado por setores como agropecuária e indústria extrativa mineral. Esses setores são menos afetados pelo ciclo econômico, já que dependem da colheita e da extração de petróleo e gás.
Em contrapartida, os segmentos que dependem mais do crédito e que são impactados pelas altas taxas de juros sofreram quedas expressivas. Um dos principais sinais de alerta é a retração no consumo das famílias, acompanhada por recuos na indústria de transformação e na construção civil.
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Rodolfo Margato, economista da XP, caracteriza os resultados desagregados do PIB como "fracos".
Ele observa que isso indica "sinais de uma economia que perde tração", mesmo com um mercado de trabalho ainda aquecido e uma série de estímulos à demanda no curto prazo. Para Margato, o consumo das famílias ficou "bem aquém do projetado".
Leonardo Costa, do ASA, destaca a perda de dinamismo em setores mais vulneráveis ao crédito.
“Os segmentos que mais sofrem com as oscilações do ciclo econômico doméstico, como o consumo das famílias, a indústria de transformação e a construção civil, continuam a perder força”, explica Costa. Ele acredita que os indicadores já sugerem uma continuação dessa fraqueza no terceiro trimestre.
Natalie Victal, economista-chefe da SulAmérica Investimentos, comenta que “os resultados qualitativos vieram um pouco piores do que o que o headline sugere”.
Antônio Ricciardi, economista do Banco Daycoval, alerta para o forte arrefecimento nos serviços, um setor que tende a ser cíclico. Ele aponta que essa área desacelerou de uma expansão de 2,1% no primeiro trimestre para 1,5% no segundo, em comparação anual.
Roberto Padovani, economista-chefe do banco BV, observa que o impacto das taxas de juros já está afetando de maneira significativa a indústria de transformação. Sua expectativa para os próximos meses é que o desempenho do setor agropecuário diminua no terceiro trimestre, enquanto os efeitos do aperto monetário continuarão a se espalhar pela economia.
Gustavo Rostelato, economista da Armor Capital, complementa que a queda no consumo, somada a uma absorção doméstica praticamente estável, evidencia a “perda de tração da demanda interna”, o que pode indicar um viés de baixa para a atividade econômica nos próximos trimestres.
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