PF e PGR Avaliam Nova Delação de Vorcaro em 2026
Análise da nova proposta de delação premiada por Daniel Vorcaro ganha destaque, com expectativa de decisões nas próximas semanas.
Integrantes da Polícia Federal (PF) e da Procuradoria-Geral da República (PGR) estão atualmente analisando a nova versão da proposta de delação premiada feita pelo dono do banco Master, Daniel Vorcaro. Nos próximos dias, essas instituições devem se pronunciar sobre como proceder: se vão continuar as negociações, solicitar mais informações ou até mesmo rejeitar a proposta. Os anexos foram entregues na segunda-feira, durante uma reunião entre os advogados de Vorcaro e a equipe da PF e PGR. No dia seguinte, houve um segundo encontro que resultou em adições ao material apresentado.
Uma terceira audiência estava agendada para quarta-feira, mas os investigadores decidiram pedir um tempo extra para avaliar melhor as informações antes de se reunirem novamente com os representantes de Vorcaro. Interlocutores que estão envolvidos nas negociações comentaram que, em uma análise preliminar, os relatos nesta nova versão estão mais detalhados e consistentes do que aqueles que foram apresentados anteriormente, em uma primeira proposta que acabou sendo rejeitada em maio.
Embora o conteúdo do primeiro documento permaneça em sigilo judicial, fontes do GLOBO revelaram que Vorcaro buscou justificar os pagamentos e o relacionamento próximo com políticos, evitando admitir crimes, algo que normalmente é esperado em um acordo de colaboração, onde o delator apresenta novas provas em troca de benefícios legais. Além disso, ele não mencionou fatos que já são do conhecimento da PF, como uma suposta mesada destinada ao senador Ciro Nogueira (PP-PI), que nega qualquer irregularidade, e as interações com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-governador do Rio, Cláudio Castro (PL).
Os investigadores acreditam que seria inviável aceitar o acordo na sua forma atual, já que as omissões poderiam se tornar evidentes à medida que as investigações avançassem, especialmente com as descobertas feitas nos celulares de Vorcaro, de seu primo, cunhado e pai, que também estão sob a investigação da PF.
Pessoas próximas ao caso interpretaram a postura de Vorcaro como uma tentativa de ganhar tempo e evitar a prisão em um presídio de segurança máxima. Para tentar mudar essa percepção, a defesa do banqueiro acelerou a apresentação de uma nova proposta.
Há indícios de que alguns servidores possam ter recebido “mesadas” de Vorcaro para atuarem como seus “consultores informais”. A proposta anterior foi rejeitada pela PF por não trazer informações relevantes para o andamento das investigações.
Nas últimas semanas, como um gesto que demonstra sua disposição em colaborar, Vorcaro promoveu uma mudança em sua equipe de advogados. O criminalista Jose Luis Oliveira Lima, conhecido como Juca, foi substituído por Sergio Leonardo, outro criminalista que já acompanhava Vorcaro desde a primeira operação relacionada às fraudes no Banco Master, deflagrada em novembro. Agora, Leonardo coordena a defesa.
Segundo informações da coluna da Malu Gaspar, Juca havia acumulado desavenças com o ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, que é o relator do caso Master, o que teria se tornado um empecilho para a homologação do acordo.
Vale lembrar que a prisão preventiva de Vorcaro completa três meses nesta quinta-feira. Durante esse período, ele chegou a passar algumas semanas encarcerado no Presídio Federal.
Atualizado há menos de 1 hora
A Polícia Federal avalia que a nova proposta de delação premiada do banqueiro Daniel Vorcaro dificilmente será aceita por falta de provas inéditas. Segundo fontes ouvidas pela reportagem, o anexo complementar apresentado pela defesa na semana passada não trouxe elementos inéditos capazes de alterar a percepção dos investigadores sobre o caso. De acordo com integrantes da PF, o novo material menciona repasses ao senador Ciro Nogueira (PP-PI) e ao filme 'Dark Horse', produção cinematográfica sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Ainda assim, os investigadores afirmam que as informações apresentadas não são novas e foram incluídas principalmente em tom de justificativa. Na semana passada, Mendonça se reuniu com a defesa de Vorcaro e, nos próximos dias, deve voltar a encontrar o advogado Sérgio Leonardo, responsável pelas negociações. Fontes da Polícia Federal relatam ainda que, nas últimas duas semanas, a equipe de defesa realizou reuniões diárias com Vorcaro, algumas delas com duração superior a seis horas. A partir da próxima segunda-feira (15), porém, voltará a vigorar o limite de 30 minutos diários para os encontros entre o investigado e seus advogados. A PF aprendeu mais de oito celulares de Daniel Vorcaro e apenas a perícia inicial de parte desses telefones já revelou que o esquema do banqueiro vai além de um esquema de fraudes financeiras, envolvendo corrupção, organização criminosa e uso de uma milícia privada para atacar adversários e acessar dados sigilosos.