Pesquisa CNT/MDA: 50% dos brasileiros querem proibição de IA nas eleições
Estudo revela que 84,1% dos eleitores apoiam controle sobre propaganda eleitoral gerada por inteligência artificial nas eleições de 2026.
Data: 11/08/2026, 10h58
Atualizado em 18/08/2026
Em um cenário onde a tecnologia avança rapidamente, metade dos brasileiros expressa preocupação em relação ao uso de vídeos e propagandas eleitorais feitos com inteligência artificial nas eleições de 2026. Esta informação foi revelada pela Pesquisa CNT de Opinião, fruto de uma parceria entre a Confederação Nacional do Transporte (CNT) e o Instituto MDA Pesquisa, divulgada em 11 de agosto.
Conforme os dados da pesquisa, 49,8% dos entrevistados acreditam que nenhum conteúdo eleitoral gerado por IA deveria ser permitido nas eleições deste ano. Outros 34,3% preferem uma abordagem mais específica: querem a proibição de conteúdos que utilizem inteligência artificial para disseminar fake news sobre candidatos. Por outro lado, apenas 8,9% apoiam a liberação total de qualquer material produzido com essa tecnologia, enquanto 7% optaram por não responder ou não souberam o que dizer.
Na prática, isso significa que 84,1% dos participantes estão a favor de algum tipo de controle sobre o uso eleitoral da inteligência artificial. Esse resultado surge em um momento em que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) está começando a determinar como essas novas ferramentas poderão ser empregadas nas campanhas deste ano.
Um dos casos que está em pauta envolve o senador Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência pelo PL. Durante a convenção do partido, realizada em julho, foi exibido um vídeo gerado por IA, no qual o ex-presidente Jair Bolsonaro faz uma aparição virtual para apoiar a candidatura do filho.
Outro dado interessante da pesquisa indica que 10% dos eleitores tomam a decisão sobre o candidato a presidente no próprio dia da votação; entre os independentes, essa decisão tende a ser feita um pouco mais tarde.
O PT já acionou o TSE, questionando a utilização desse material. A defesa de Flávio argumenta que o vídeo foi apresentado em um contexto de convenção partidária e que não houve a intenção de enganar o público quanto à sua natureza.
O TSE deve discutir esse caso em uma reunião entre os ministros antes que o plenário faça uma análise do processo. Essa avaliação pode ser fundamental para estabelecer um entendimento sobre o uso de deepfakes e outros conteúdos gerados ou alterados por inteligência artificial durante a campanha.
Além disso, o tribunal firmou uma parceria com a ElevenLabs, uma empresa que se especializa na criação de vozes artificiais, com o intuito de dificultar a reprodução digital de vozes que sejam consideradas sensíveis para o processo eleitoral. Essa iniciativa permitirá que a Justiça Eleitoral tome medidas contra a utilização indevida de tais vozes na plataforma.
O TSE também criou um conselho consultivo que irá monitorar os riscos relacionados ao uso da inteligência artificial e à desinformação nas eleições de 2026. Esse grupo, formado por especialistas, terá a tarefa de ajudar a presidência do tribunal a acompanhar o impacto dessas tecnologias durante o processo eleitoral.
A pesquisa CNT/MDA foi realizada entre os dias 5 e 8 de agosto, por meio de entrevistas presenciais em cidades de todas as regiões do Brasil. O levantamento está registrado no TSE sob o número BR-06935/2026.