Perigos da Interferência Cibernética dos EUA nas Eleições Brasileiras
Ações cibernéticas dos EUA e Big Techs podem ameaçar a integridade das eleições no Brasil em outubro de 2026.
© Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
Especialistas em relações internacionais, geopolítica e tecnologia da informação têm chamado a atenção para os riscos de ações cibernéticas por parte dos Estados Unidos (EUA), visando manipular as eleições gerais que ocorrerão em outubro de 2026 no Brasil.
Desde a implementação de tarifas de 25% até o cancelamento de vistos de autoridades brasileiras, as medidas do governo de Donald Trump em relação ao Brasil têm se intensificado, levantando suspeitas sobre novas ações, especialmente no âmbito cibernético.
Essa análise é de especialistas consultados pela Agência Brasil, incluindo Reynaldo Aragon, pesquisador do Núcleo de Estudos Estratégicos em Comunicação, Cognição e Computação. Ele destacou que um memorando assinado por Trump em 12 de agosto é sem precedentes e abre a porta para o uso das big techs em operações de "vigilância cibernética" e "efeitos cibernéticos".
"Os impactos desse memorando são alarmantes. Estamos falando de espionagem e ações de hackeamento em níveis muito altos e intrusivos. Eles podem acessar os perfis de qualquer pessoa e criar relatórios e dossiês que podem beneficiar ou prejudicar candidatos específicos", alertou.
Com a justificativa de combater o crime cibernético transnacional, o memorando estabelece uma parceria entre a Casa Branca e empresas privadas para realizar ações que podem incluir “acesso a sistemas de informação sem a autorização do proprietário ou operador, ou além do acesso autorizado”.
Outra medida contida no memorando é a Operação de Efeitos Cibernéticos, que permite ações em redes de telecomunicações e sistemas de informação, entre outros. Isso pode resultar na manipulação, interrupção, negação, degradação ou destruição de sistemas de informação, redes e infraestrutura, tanto física quanto virtual.
Nesse contexto, Aragon defendeu que o Brasil deve investir no desenvolvimento de sua própria infraestrutura digital, uma vez que todos os sistemas sensíveis do Estado brasileiro estão sob a dependência de empresas dos EUA.
Ao contrário de intervenções mais visíveis, as ações cibernéticas podem ocorrer de maneira discreta, ou “subterrânea”, sem deixar rastros que indiquem sua origem, conforme alertou o jornalista Reynaldo Aragon.
"O impulso de perfis nas redes sociais é apenas uma das várias estratégias já em curso, mas isso pode se expandir muito além. O risco é tanto sistêmico quanto estrutural", observou.
Ainda em julho, o governo brasileiro negou visto a dois funcionários do Departamento de Estado dos EUA, após suspeitas de que assistentes do secretário Marco Rubio planejavam questionar a integridade do sistema eleitoral brasileiro.
O professor de história e especialista em geopolítica, Euclides Vasconcelos, acredita que podemos esperar novas tentativas de interferência dos EUA nas eleições brasileiras, como a descredibilização do sistema eleitoral.
"As big techs são muito mais do que plataformas ou espaços de discussão. Elas são empresas que...", finalizou, ressaltando a importância de entender o papel delas nesse cenário.