Paramount Processada por 12 Estados: Ação Contra Aquisição da Warner
A fusão entre Paramount e Warner Bros. Discovery enfrenta resistência judicial de estados americanos, levantando preocupações sobre concorrência no setor de entretenimento.
A disputa envolvendo a compra da Warner Bros. Discovery pela Paramount está ganhando novos contornos. Nesta segunda-feira, 13 de julho de 2026, a Califórnia, junto com outros 11 estados dos Estados Unidos, decidiu entrar na Justiça para tentar barrar essa transação, avaliada em impressionantes US$ 110 bilhões — cerca de R$ 566 bilhões. Os procuradores-gerais de cada um desses estados argumentam que essa fusão pode concentrar poder demais nas mãos de uma única empresa, reduzindo a concorrência tanto no cinema quanto na TV por assinatura.
O pedido dos estados é claro: eles querem que a Paramount e a Warner adiem voluntariamente a finalização do negócio até que o processo legal esteja resolvido. Caso isso não aconteça, planejam buscar uma ordem judicial para evitar a concretização da fusão. É importante notar que a Paramount se comprometeu a pagar cerca de US$ 650 milhões (R$ 3,3 bilhões) por trimestre aos acionistas da WBD, caso a compra não seja finalizada até o final de setembro.
Sob a liderança do bilionário David Ellison, a Paramount defende que essa união criaria uma força capaz de competir com gigantes como a Netflix e a Disney, que dominam o mercado de streaming. Curiosamente, o Departamento de Justiça dos EUA já deu seu aval para a compra, e no Brasil, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) também sinalizou positivamente. Mesmo sendo uma transação entre empresas americanas, a fusão precisa da aprovação brasileira, uma vez que tanto a Warner quanto a Paramount operam no país, oferecendo serviços de streaming, canais de TV e distribuição de filmes.
A ação judicial destaca que a empresa resultante desse acordo teria 27% do mercado de distribuição de filmes nos Estados Unidos. No caso dos blockbusters, essa participação poderia chegar a 30%. Além disso, se concretizada, a fusão reuniria grandes franquias, como Harry Potter, Senhor dos Anéis, Transformers e Star Trek. Os procuradores levantam preocupações sobre como a falta de concorrência poderia impactar as condições comerciais das redes de exibição, refletindo no preço dos ingressos.
Outra questão crítica envolve a TV por assinatura, pois a nova empresa controlaria canais como CNN, CBS, MTV, HGTV, Cartoon Network e Nickelodeon, detendo os mesmos 27% do mercado de canais básicos de TV paga nos EUA. Isso aumentaria consideravelmente o poder de negociação com distribuidoras e operadoras. Vale lembrar que, no Brasil, a Paramount já descontinuou seus canais de TV por assinatura para focar no streaming, e a inclusão dos canais de TV foi uma exigência de Ellison durante as negociações.
Em 2025, a WBD anunciou planos de dividir seu conglomerado em duas empresas distintas: uma focada em cinema e TV premium, e outra voltada para a televisão tradicional. Durante esse período, a Netflix havia chegado a um acordo para adquirir a divisão de entretenimento, mas a proposta de Ellison acabou englobando o conglomerado completo. A fusão é vista pela indústria como uma potencial ameaça, pois poderia resultar em cortes de equipes e sobreposição de departamentos. Além disso, os donos de cinemas estão preocupados que essa união possa reduzir a quantidade total de filmes lançados, afetando o mercado de forma significativa.
Atualizado há menos de 1 hora
Nesta segunda-feira, 20 de julho de 2026, um juiz federal concedeu uma ordem de restrição temporária que paralisa por 14 dias a fusão entre Paramount Skydance e Warner Bros. Discovery. A decisão veio após uma audiência em Oakland, onde a juíza Araceli Martínez-Olguín ouviu os argumentos das duas partes. Uma nova audiência está marcada para 3 de agosto, quando será avaliado o pedido dos estados por uma liminar que pode congelar a fusão por meses. O procurador-geral da Califórnia, Rob Bonta, classificou a decisão como uma vitória crítica, argumentando que a fusão poderia elevar preços e reduzir a qualidade e variedade de conteúdo disponível. A Paramount, por sua vez, prometeu contestar a ação, afirmando que os argumentos antitruste dos estados não têm base na realidade atual do mercado.


