Pam Bondi Depõe no Congresso sobre o Caso Epstein
Ex-procuradora geral dos EUA fala sobre a liberação de documentos do caso Epstein em audiência fechada no Congresso, destacando a transparência no processo.

A ex-procuradora geral dos Estados Unidos, Pam Bondi, está prestes a depor diante de um painel do Congresso que investiga o caso do condenado por crimes sexuais Jeffrey Epstein. Bondi, que foi destituída de seu cargo por Donald Trump em abril, vai discutir como o Departamento de Justiça dos EUA lidou com a liberação dos arquivos de Epstein. O depoimento, que acontece em Washington, D.C., ocorre a portas fechadas, mas é possível que trechos ou até vídeos sejam divulgados posteriormente.
Vale lembrar que Bondi foi convocada formalmente pelo Comitê de Supervisão da Câmara em março, logo antes de Trump anunciar sua saída da posição de principal procuradora do governo.
Em suas declarações iniciais ao comitê, Bondi expressou orgulho pela divulgação de documentos relacionados ao caso de Epstein, uma ação que gerou críticas generalizadas. "Demonstramos um compromisso sem precedentes com a transparência na busca, coleta e revisão dos arquivos de Epstein, produzindo quase 3 milhões de páginas de material, incluindo milhares de vídeos e centenas de milhares de imagens", afirmou.
James Comer, o presidente republicano do comitê, escreveu em uma carta de intimação que estão investigando a "possível má gestão" da investigação sobre Epstein e o cumprimento da Lei de Transparência dos Arquivos de Epstein. Essa legislação, que exige que o Departamento de Justiça dos EUA libere publicamente registros não classificados, foi sancionada por Trump. Antes da reunião de hoje, Comer comentou com jornalistas que governos sucessivos falharam em proteger as vítimas de Epstein e que Bondi será questionada sobre como lidou com a liberação dos documentos.
"Vamos tentar determinar se há mais documentos que podem ser legalmente entregues", disse ele. "Quero todos os documentos. Não quero que nada fique retido, e acredito que a maioria do comitê pensa da mesma forma."
Robert Garcia, o principal democrata do comitê, também expressou sua "incrível decepção" pela decisão de não gravar a entrevista e liberar o conteúdo para o público americano. A convocação de Bondi ocorreu algumas semanas após a deputada republicana Nancy Mace acusar o Departamento de Justiça de encobrir informações durante a liberação dos arquivos e apresentar uma moção para intimar Bondi – a ex-procuradora-geral da Flórida, que integrou a defesa de Trump durante o impeachment de 2020.
O governo de Trump e Bondi enfrentaram uma pressão bipartidária significativa para divulgar todos os documentos relacionados à investigação do financista do tráfico sexual, além de críticas sobre como gerenciaram os arquivos, incluindo a falha em ocultar os nomes das vítimas de Epstein. Para lembrar, Epstein morreu na prisão enquanto aguardava julgamento em 2019.
Em fevereiro de 2025, Bondi declarou em uma entrevista à Fox News que tinha em sua mesa uma lista de clientes de Epstein, apenas para que, em julho daquele ano, o Departamento de Justiça voltasse atrás e afirmasse que não existia uma "lista de clientes", esclarecendo que Bondi se referia ao dossiê geral do caso. Durante seu tempo como a principal figura da aplicação da lei no país, a gestão de Bondi foi marcada por desafios significativos.