Orquestra Feminina em Alagoas: Empoderamento e Música Clássica
Projeto Música Mariar, apoiado pela Lei Rouanet, forma meninas de 10 a 17 anos em Taquarana e aposta na cultura como ferramenta de transformação social

No agreste de Alagoas, um projeto cultural está fazendo a diferença e moldando novos caminhos. Em Taquarana, a Orquestra Mariar reúne 48 meninas, com idades variando entre 10 e 17 anos, para formar uma orquestra sinfônica composta exclusivamente por mulheres. Essa iniciativa não só promove a formação artística, mas também se dedica à inclusão social e ao fortalecimento do papel feminino na sociedade.
Esse projeto faz parte do Música Mariar, desenvolvido pela Casa das Marias, com o apoio da Lei Rouanet e do Ministério da Cultura. A aula inaugural ocorreu no dia 25 de março, no Ginásio Poliesportivo da Escola Municipal Maria Iraci, onde a Orquestra de Professores da escola fez uma apresentação especial.
Idealizado por Cléa Paixão, fundadora da Casa das Marias, o projeto surge com uma missão clara: empoderar mulheres através da cultura. "Nasceu do meu desejo de fortalecer meninas, mulheres e idosas da minha terra natal, proporcionando novos horizontes e oportunidades. Acredito que uma mulher forte diz não à violência e a tudo que não lhe faz bem", compartilha Cléa.
Mas não se trata apenas de ensinar música. A iniciativa busca promover uma formação integral para as participantes. As alunas e suas famílias receberão também apoio de assistência social e participarão de atividades formativas. O programa abrange o desenvolvimento de habilidades musicais, como a leitura de partituras, além de temas voltados à cidadania, direitos das mulheres e construção de projetos de vida.
Embora ainda esteja em seus primeiros passos, o impacto já pode ser sentido. “Estamos vendo o entusiasmo e a esperança nos rostos das alunas. Em uma roda de conversa, foi emocionante notar o encantamento delas com os instrumentos. Algumas relataram uma conexão imediata com a música”, conta Cléa.
A expectativa é que, ainda no primeiro semestre, essas jovens estejam prontas para tocar repertórios que vão desde a música popular brasileira até composições eruditas. E mais: há planos audaciosos no horizonte, incluindo uma turnê por todo o estado de Alagoas.
A formação de uma orquestra composta apenas por mulheres traz um significado que vai além da arte. Historicamente, o mundo da música erudita tem sido dominado por homens, e ainda existem barreiras em termos de acesso e representatividade, especialmente em áreas fora dos grandes centros urbanos.
Nesse cenário, o projeto se estabelece como uma poderosa ferramenta de transformação cultural. “Uma orquestra feita somente por mulheres carrega um significado profundo. É uma quebra de estereótipos, um espaço de visibilidade e representatividade feminina. No caso da Orquestra Mariar, formada por meninas do interior do Nordeste, isso se torna ainda mais impactante. É um grito de liberdade”, define Cléa.
Além de democratizar o acesso à música clássica, o Música Mariar também busca ampliar horizontes em uma região onde as oportunidades culturais ainda são escassas. “Quando tornamos a música erudita mais acessível, as barreiras tendem a cair”, conclui.
A aula inaugural representa o início de um novo capítulo para as participantes e para a cena cultural local. O evento foi planejado como um momento de acolhimento e inspiração, marcando o começo de uma jornada cheia de possibilidades.
