Operações da PM contra o CV no Rio: Ação em Comunidades
A Polícia Militar intensifica operações contra o Comando Vermelho na Região Metropolitana do Rio, visando reduzir a violência e recuperar áreas dominadas por facções.

A Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (PMERJ) está realizando uma série de operações nas comunidades do estado nesta quinta-feira, 13 de agosto de 2026, com foco no combate ao Comando Vermelho (CV). Participam dessa ação ao menos 27 batalhões, além de unidades especializadas do Comando de Operações Especiais (COE).
As operações estão ocorrendo na cidade do Rio e em diversos municípios da região metropolitana, como São Gonçalo, Niterói, Magé, Itaboraí, Duque de Caxias e São João de Meriti, além da área conhecida como Baixada Fluminense.
Segundo informações da PM, o principal objetivo dessas ações é combater crimes como roubos de veículos e cargas, além de conter a expansão do CV. As forças de segurança estão cumprindo mandados de prisão, apreendendo armas e drogas, recuperando veículos roubados e removendo barricadas que traficantes montaram para dificultar o acesso às comunidades.
Na Cidade de Deus, localizada na Zona Sudoeste do Rio, houve um confronto armado, resultando em dois homens baleados. Durante a ação, a PM apreendeu uma pistola, uma granada, um radiotransmissor e uma mochila com drogas. As vítimas foram socorridas e levadas ao Hospital Municipal Lourenço Jorge.
No Quitungo, uma comunidade em Brás de Pina, na zona norte, um homem foi detido. Ele é suspeito de envolvimento na morte do sargento da PM, Marco Antônio Matheus Maia, em dezembro de 2024. Com ele, a polícia encontrou um fuzil AR-10.
Em áreas como o Morro do Andaraí, na Zona Norte, a operação visa conter disputas territoriais entre gangues rivais, que têm gerado temor entre os moradores locais.
Um levantamento da organização não governamental Instituto Fogo Cruzado revela que, apenas em julho, a Região Metropolitana do Rio registrou pelo menos 34 tiroteios relacionados a conflitos entre facções criminosas e milícias. Esse número representa o maior índice do ano e dobrou em comparação a junho.
No Complexo do Chapadão, também na Zona Norte, os policiais realizaram a remoção de barricadas. Essa área, que fica próxima a vias expressas, é utilizada por quadrilhas para roubo de cargas.
Na Vila Vintém, na Zona Oeste, dois suspeitos foram detidos. Além disso, um fuzil foi apreendido nas comunidades da Coronel e da Nova Brasília, em Niterói.
Essas ações coordenadas ocorrem um dia após o incidente em que a fonoaudióloga Aline de Siqueira Affonso, de 53 anos, foi baleada dentro de um ônibus em Vicente de Carvalho, na Zona Norte, durante um confronto entre policiais e criminosos.
De acordo com dados do Instituto Fogo Cruzado, Aline foi a milésima pessoa baleada no Grande Rio em 2026. O estudo aponta que, até o dia 12 de agosto, 537 pessoas perderam a vida e 463 ficaram feridas devido a disparos de arma de fogo na região metropolitana.
“Isso significa uma média de 30 pessoas baleadas por semana, ou quatro por dia”, destaca a ONG. Aproximadamente metade das vítimas (509) foi atingida durante operações policiais, e 63 pessoas foram atingidas por balas perdidas em 2026, resultando em 15 mortes e 48 feridos.
Carlos Nhanga, coordenador do Fogo Cruzado, afirma que o caso da fonoaudióloga ilustra a gravidade da situação de violência que afeta a região.
