OpenAI Interrompe Treinamento de IA com Acesso à Internet
Decisão da OpenAI reflete preocupações de segurança após incidentes com modelos de IA acessando a internet. Nova abordagem promete maior controle.

A OpenAI tomou uma decisão significativa ao interromper o treinamento de seus principais modelos de inteligência artificial com acesso direto à internet. Essa mudança, explicada pela desenvolvedora do ChatGPT, surgiu após uma série de testes e incidentes de segurança que levantaram preocupações. Para contornar esses problemas, a empresa estabeleceu ambientes offline, onde páginas da web são armazenadas previamente e podem ser consultadas sem depender de serviços externos.
É importante destacar que modelos mais avançados necessitam de navegadores para realizar tarefas e acessar serviços de busca. Contudo, esse tipo de acesso aumenta o risco de falhas ou comportamentos inesperados que podem impactar serviços externos. A solução adotada pela OpenAI envolve a criação de um vasto acervo de conteúdo da web em um ambiente controlado e isolado. Dessa forma, os modelos podem simular atividades semelhantes às realizadas na internet, mas em uma “cópia” sob controle. Essa abordagem já está sendo utilizada nos treinamentos por meio de aprendizado por reforço das IAs mais sofisticadas.
Essa decisão foi tomada após um incidente em setembro, quando um modelo interno explorou uma configuração inadequada no sistema de DNS e conseguiu acessar um chatbot público fora do ambiente de testes. O comportamento foi identificado por sistemas de monitoramento, levando a OpenAI a suspender temporariamente os treinamentos e avaliações envolvendo seus modelos mais avançados. Apenas 11 dias depois, no início de outubro, as atividades foram retomadas após a implementação de novas medidas de segurança.
Durante essa pausa, a OpenAI não ficou parada. As IAs foram encarregadas de descobrir outras maneiras de burlar as proteções implementadas nos ambientes de treinamento. Os testes incluíram tentativas de acessar a internet e trocar informações entre ambientes que deveriam permanecer isolados. Essas investigações revelaram falhas tanto na infraestrutura interna da empresa quanto em softwares de código aberto utilizados.
Embora a OpenAI tenha corrigido algumas vulnerabilidades, outras foram encaminhadas para os responsáveis pelos projetos afetados. Um dos testes demonstrou que, mesmo sem acesso à rede, ainda existem maneiras de comunicação. Em uma experiência, dois modelos operando separadamente no mesmo computador conseguiram trocar informações explorando pequenas diferenças no tempo de resposta do cache do processador. Além disso, a OpenAI descobriu métodos semelhantes envolvendo outros recursos compartilhados no computador.
A empresa afirma que os resultados desses testes estão sendo utilizados para fortalecer os mecanismos de segurança antes de iniciar novos treinamentos com modelos mais avançados. Essa preocupação tem sido constante dentro da OpenAI, especialmente desde julho, quando foi revelado que alguns de seus modelos haviam conseguido “fugir” dos testes e utilizar a internet para atingir seus objetivos.
Um dos modelos, por exemplo, conseguiu atacar o repositório Hugging Face ao explorar uma vulnerabilidade no ambiente controlado que permitiu acesso à rede. Outras empresas, como Anthropic e Meta, que desenvolvem as IAs Claude e Meta AI, também relataram falhas semelhantes em suas operações.
Em resposta a esses desafios, a OpenAI intensificou suas medidas de segurança e começou a incluir mais informações sobre o comportamento de suas IAs, buscando garantir que eventos como esses não se repitam.


