ONU Propõe Medidas para Igualdade de Gênero nas Eleições
Antes do primeiro turno, ONU Mulheres apresenta propostas para reduzir desigualdades de gênero e aumentar a participação feminina na política brasileira.
19/09/2026 12h00 Atualizado 19/09/2026
Às vésperas do primeiro turno das eleições, a ONU Mulheres, um braço da Organização das Nações Unidas, divulgou um documento repleto de propostas direcionadas a candidatas, candidatos, partidos políticos, instituições públicas e à sociedade em geral.
Essas medidas visam reduzir a violência e as desigualdades de gênero, abordando temas como participação política, violência contra as mulheres, trabalho, cuidados e a crise climática. O intuito do documento é fomentar um debate público mais amplo e sugerir caminhos para que os direitos reconhecidos se transformem em políticas públicas efetivas.
Para entender os principais obstáculos que ainda impedem o avanço dessas pautas na política brasileira, o g1 conversou com especialistas. O cientista político Elias Tavares destaca que o desafio é garantir que essas propostas não sejam apenas lembradas durante o período eleitoral. “Afinal, uma proposta só se torna uma política pública quando sai do discurso, entra no planejamento do governo e, de fato, impacta a vida das pessoas”, ressalta Elias.
Samuel Oliveira, também cientista político, aponta que um dos obstáculos é a tendência de essas pautas perderem prioridade na alocação de recursos e na implementação de políticas públicas. “Prevenir feminicídios, ampliar o número de creches, estruturar redes de cuidado ou mudar padrões dentro dos partidos exige um investimento constante e traz resultados ao longo dos anos”, explica Samuel.
Gallianne Palayret, representante da ONU Mulheres no Brasil, enfatizou que as propostas apresentadas são “caminhos objetivos para que a democracia brasileira represente, de fato, a maioria da sua população”.
No Brasil, as mulheres representam 52,8% do eleitorado, mas apenas 17,2% ocupam assentos na Câmara dos Deputados e 18,5% no Senado. Das 91 deputadas eleitas em 2022, apenas 29 são negras, correspondendo a menos de 6% da Câmara.
Para combater as desigualdades e aumentar a participação feminina em cargos eletivos e nas lideranças do Legislativo e dos partidos, a ONU propõe a definição de prazos e metas numéricas, além da publicação dos resultados, permitindo que a sociedade monitore esses avanços.
A ONU também sugere que, para que as cotas eleitorais se tornem efetivas, haja uma fiscalização rigorosa e que os recursos de campanha cheguem às candidatas de maneira oportuna e justa, especialmente às mulheres negras. Outro ponto levantado é a necessidade de exigir transparência dos partidos, responsabilizando aqueles que não seguem as regras e criando espaços para que as mulheres assumam posições de liderança nas direções partidárias.
Apesar do aumento na proporção de candidaturas femininas nas eleições gerais entre 2010 e 2022, as mulheres ainda representam menos de 20% dos eleitos no legislativo federal. A luta por maior participação das mulheres na política e na sociedade continua.