ONU Enfrenta Crise na 81ª Assembleia Geral sem Sucessor para Guterres

Com a 81ª Assembleia Geral da ONU se aproximando, a busca por um novo secretário-geral se torna um desafio em meio a crises geopolíticas e financeiras.

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ONU Enfrenta Crise na 81ª Assembleia Geral sem Sucessor para Guterres
Reprodução Redes Sociais

20 de setembro de 2026, 13h05 – Atualizado às 13h05

À medida que se aproxima a 81ª Assembleia Geral da ONU, a organização enfrenta sua maior crise até o momento. Com dificuldades em encontrar soluções para uma série de conflitos que afligem o mundo e lutando com problemas financeiros, a ONU se vê diante de um dilema existencial. A tensão geopolítica que se manifesta externamente está reverberando internamente; a três meses do término do mandato do português António Guterres, os membros do Conselho de Segurança ainda não conseguiram chegar a um consenso sobre quem o sucederá.

No último sábado, 19 de setembro, a ex-presidente do Chile, Michelle Bachelet, anunciou sua decisão de retirar a candidatura ao cargo. Essa escolha foi claramente influenciada pelo baixo nível de apoio e a alta rejeição que enfrentou – na votação informal realizada na véspera, recebeu apenas um voto favorável e 11 contrários.

Bachelet contava com o apoio do Brasil e do México, no entanto, sua candidatura encontrou forte resistência, especialmente por parte dos Estados Unidos. O elevado índice de rejeição não afeta apenas Bachelet; as outras sete candidaturas também se encontram em uma situação delicada, indicando que nenhuma delas parece ter chances reais, o que pode resultar na emergência de novos nomes na disputa.

Por outro lado, a economista Rebeca Grynspan, ex-vice-presidente da Costa Rica e ex-secretária-geral da Unctad, tem se destacado, por assim dizer. Em sua última votação informal, obteve nove votos a favor, mas ainda assim enfrentou cinco votos contrários, o que mostra que seu nome também não inspira total confiança. Logo em seguida, aparece Carolyn Rodrigues Birkett, ex-ministra de Relações Exteriores da Guiana, com oito votos de apoio e seis contra.

O diplomata argentino Rafael Grossi, atual diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica, conta com o apoio dos EUA, mas enfrenta forte oposição dos demais membros (cinco a favor e oito contra). Os demais candidatos estão apresentando desempenhos ainda mais fracos.

Embora a indefinição nesse estágio do processo não seja algo incomum, a alta taxa de rejeição dos candidatos é, de fato, surpreendente. A eleição de um novo secretário-geral da ONU segue regras não oficiais, algo que parece peculiar, mas que já perdura há 80 anos.

A primeira dessas regras não-oficiais é a necessidade de rotação entre as regiões; no momento, é a vez da América Latina e do Caribe. A decisão cabe aos 15 membros do Conselho de Segurança, mas os cinco membros permanentes (Estados Unidos, China, França, Reino Unido e Rússia) possuem o poder de veto – ou, como é dito no jargão diplomático, eles podem “desencorajar” um candidato.

Todos os candidatos precisam conquistar ao menos nove votos entre os 15 membros do Conselho e, crucialmente, não podem ser vetados por nenhum dos cinco permanentes. A confirmação do escolhido cabe à Assembleia Geral.

O processo envolve várias rodadas de votação informais, todas fechadas e, teoricamente, secretas. Contudo, os segredos costumam vazar, dada a relevância das sessões. Na fase inicial de sondagens, os membros do Conselho tendem a manter ainda mais mistério, pois não há distinção entre os votos dos membros permanentes e os dos demais. Assim, não é possível saber se algum candidato foi realmente vetado. Até agora, o sucessor de Guterres já passou por três dessas sondagens informais, conhecidas como “straw polls”. A expectativa é de que o próximo secretário-geral venha da América Latina ou do Caribe e, portanto, o desfecho desse processo se torna cada vez mais intrigante.

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