ONU Avalia Presença no Líbano Após Fim da UNIFIL em 2027
Com o término do mandato da UNIFIL se aproximando, a ONU busca garantir sua continuidade no Líbano, considerando as complexas dinâmicas de segurança na região.
As Nações Unidas anunciaram na última quinta-feira que estão se esforçando para garantir a continuidade de sua presença no Líbano, especialmente com o término do mandato da força de manutenção da paz, a UNIFIL, previsto para o final deste ano. Jean-Pierre Lacroix, subsecretário-geral da ONU para as Operações de Paz, comentou que, em relação ao que vem depois da UNIFIL, "estamos atualmente a trabalhar nessas opções". Ele destacou que o governo libanês expressou claramente o desejo de manter a presença da ONU no país.
Desde 1978, a Força Interina das Nações Unidas no Líbano tem desempenhado um papel crucial na manutenção da paz entre o Líbano e Israel, mas, nos últimos tempos, tem se encontrado no meio de conflitos entre as forças israelitas e o Hezbollah. A UNIFIL, que conta com cerca de 8.200 soldados de 47 países, enfrentou desafios significativos, incluindo a perda de cinco de seus integrantes nos últimos dias — dois franceses e três indonésios.
A situação se agravou no dia 2 de março, quando o Hezbollah, um grupo militante apoiado pelo Irã, começou a lançar foguetes contra Israel, em resposta à morte do líder supremo iraniano, Ayatollah Ali Khamenei, em ataques aéreos israelitas e norte-americanos.
Lacroix, durante uma conferência de imprensa em Genebra, ressaltou que qualquer futura presença da ONU no sul do Líbano precisaria ser aprovada pelo Conselho de Segurança em Nova Iorque. Este conselho solicitou opções para uma possível presença das Nações Unidas após a UNIFIL e espera receber recomendações até 1 de junho.
Embora Lacroix não tenha detalhado as opções em consideração, ele indicou que qualquer nova presença militar da ONU provavelmente será menor do que a UNIFIL.
O mandato atual da força é renovado anualmente e expirará em 31 de dezembro. Em uma decisão tomada no final de agosto, sob pressão dos Estados Unidos e de Israel, o Conselho de Segurança decidiu programar a retirada da força para 2027, uma medida que gerou debates sobre sua prematuridade.
A principal missão da UNIFIL é apoiar esforços humanitários, mas a força também pode mobilizar suas tropas para garantir que a área não seja utilizada para ações hostis.
Lacroix mencionou que existem várias capacidades que a ONU tem fornecido e que Beirute gostaria de manter, como monitoramento, relatórios, observação e estabelecimento de contatos. "Uma solução duradoura para essa questão precisa levar em conta as necessidades de segurança tanto do Líbano quanto de Israel", enfatizou ele.
Desde a última sexta-feira, um cessar-fogo de 10 dias está em vigor no Líbano, interrompendo a guerra entre Israel e o Hezbollah, que resultou em mais de 2.400 mortes no Líbano.
No terreno, Lacroix observou que, embora tenha havido um cessar-fogo relativo nos últimos dias, a calmaria permitiu à UNIFIL "intensificar" suas atividades em algumas áreas, especialmente no apoio às populações civis. Ele ainda afirmou que a força "está disposta a fazer mais para apoiar o exército libanês e o governo em todas as ações que possam impulsionar o processo de desarmamento dos grupos armados", embora tenha advertido que isso "será difícil" devido à resistência do Hezbollah e às limitações das capacidades do exército libanês.