ONU Alerta: El Niño Gigante Impacta Clima Global em 2026
António Guterres destaca a gravidade do El Niño, que pode ser o mais intenso em 70 anos, afetando padrões climáticos e comunidades ao redor do mundo.

Os países da África Oriental, como o Quênia, vivenciaram chuvas intensas durante o último evento de El Niño. António Guterres, chefe da ONU, alertou que o mundo entrou em uma "zona de perigo em relação ao clima extremo", à medida que os efeitos do El Niño começam a ser sentidos em escala global. A Organização Meteorológica Mundial (OMM) divulgou dados recentes sobre esse fenômeno natural, indicando que ele pode ser o mais forte em mais de 70 anos e deve persistir até, pelo menos, fevereiro de 2027.
Na prática, o El Niño altera os padrões climáticos ao redor do planeta, levando algumas regiões a enfrentarem secas, enquanto outras sofrem com tufões mais intensos e inundações. Além disso, os meteorologistas preveem que o fenômeno irá aumentar as temperaturas em algumas áreas, somando-se ao aquecimento global causado pelas atividades humanas.
Guterres enfatizou: "O El Niño está sendo ampliado diante de nossos olhos. A ciência não deixa margem para dúvidas: o planeta está em águas desconhecidas, e essas águas estão esquentando." Essa declaração reflete a seriedade da situação atual.
A BBC conversou com governos e cientistas sobre as medidas adotadas em todo o mundo para mitigar os riscos de mortes, deslocamentos e danos ao meio ambiente. Foram fortalecidos os sistemas de alerta precoce e a assistência médica preventiva, mas a intensidade deste evento específico gerou preocupações sérias, especialmente para grupos vulneráveis.
A OMM, uma agência da ONU, anunciou uma "grande mobilização" para disseminar suas previsões de eventos climáticos extremos relacionados ao El Niño para o maior número possível de comunidades. Celeste Saulo, Secretária-Geral da OMM, alertou: "O El Niño tem o potencial de causar um grande impacto nas comunidades e economias ao redor do mundo."
Esse fenômeno natural se desenvolve no Oceano Pacífico e está associado a mudanças nos padrões de vento. Ele permite que águas quentes se espalhem para o leste, liberando calor na atmosfera. Nos últimos meses, as temperaturas do mar na parte central e oriental do Pacífico tropical subiram drasticamente, um sinal claro do fortalecimento do El Niño.
Na região de monitoramento chave do Pacífico, as temperaturas da superfície ficaram, em algumas semanas, mais de 2°C acima da média, indicando que está a caminho de ser classificado como um evento "muito forte". Contudo, as previsões sugerem que ele pode até mesmo superar essa marca, com temperaturas mensais da superfície do mar se aproximando de 4°C acima da média.
Se isso se concretizar, será o El Niño mais forte desde pelo menos 1950, possivelmente por uma margem considerável. Além disso, as temperaturas abaixo da superfície do Pacífico são ainda mais excepcionais, em alguns locais ultrapassando 8°C acima da média.
Temperaturas acima da média também são esperadas em outras partes do mundo, incluindo o Oceano Índico, o Atlântico tropical e ao redor de partes da costa australiana. Com seu rico ecossistema marinho, as mudanças na temperatura dos oceanos são uma preocupação particular para a Austrália. O país tem enfrentado ondas de calor marinho nos últimos anos, impulsionadas pelas mudanças climáticas, resultando em um branqueamento massivo de corais e proliferação de algas, causando "danos sem precedentes".
Embora o El Niño seja um fenômeno natural, ele tende a trazer o tipo de calor extremo que também impulsiona essas mudanças ambientais.


