Oncoclínicas: Recuperação Extrajudicial Garante Atendimento ao Paciente

Oncoclínicas: Recuperação Extrajudicial Garante Atendimento ao Paciente

A Oncoclínicas inicia plano de recuperação extrajudicial de R$ 5,1 bilhões sem comprometer o atendimento aos pacientes com câncer.

•3 min de leitura•Fonte original

Oncoclínicas (Divulgação)

O plano de recuperação extrajudicial da Oncoclínicas representa mais um capítulo na complexa crise financeira e de governança que a rede de clínicas oncológicas enfrenta. Neste momento, a empresa busca reestruturar uma dívida de impressionantes R$ 5,1 bilhões. Em meio a esse cenário desafiador, muitos pacientes de câncer já enfrentaram a suspensão de atendimentos e sessões de tratamentos como quimioterapia, radioterapia e imunoterapia, tudo isso por falta de medicamentos. No entanto, a empresa, agora, assegura que não há impactos diretos aos usuários durante esse processo de reestruturação financeira.

Detalhes do Plano de Recuperação

O plano abrange um total de 795 credores. A lista de dívidas da rede é composta, principalmente, por operações de financiamento feitas com bancos e no mercado de capitais, além de faturas pendentes com fornecedores de medicamentos e valores relacionados a fusões e aquisições, que foram algumas das estratégias adotadas pela Oncoclínicas nos últimos anos para crescer.

Vale ressaltar que essa recuperação não inclui os custos operacionais atuais da rede de clínicas. Em outras palavras, somente débitos já vencidos com fornecedores de medicamentos e insumos estão contemplados no plano. Isso significa que as obrigações financeiras com médicos, enfermeiros e outros funcionários não foram consideradas. Assim, segundo a empresa, os atendimentos aos pacientes seguem normalmente, mesmo durante essa fase de reestruturação.

Impacto na Operação Diária

A Oncoclínicas ganha um respiro com essa recuperação, que se concentra apenas nas dívidas financeiras, sem afetar a operação diária. A companhia quer deixar claro ao mercado que continua em funcionamento e que não deseja repetir o que ocorreu em março, quando os atendimentos foram suspensos por falta de medicamentos. O processo de reestruturação foi formalizado na segunda-feira, e, em um comunicado relevante enviado ao mercado, a empresa destacou que credores que representam 37% da dívida abrangida já aderiram ao plano. Esse percentual é considerado suficiente para iniciar o processo.

Próximos Passos

Nos próximos 90 dias, a Oncoclínicas precisará obter a aprovação de 50% dos credores para que o plano de reestruturação seja homologado pela Justiça. É importante notar que a securitizadora Opea, a corretora Pentágono DTVM e a administradora de fundos Oliveira Trust detêm juntos mais de R$ 3 bilhões em créditos. A decisão de optar pela recuperação extrajudicial foi uma estratégia adotada pela empresa para evitar que ações individuais e descoordenadas de credores pudessem agravar ainda mais sua situação econômico-financeira. Entre os fatores que contribuíram para a crise de caixa, a empresa aponta tanto questões internas quanto externas, como a rápida expansão das suas atividades e a deterioração do ambiente macroeconômico, marcado por taxas de juros elevadas.
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