
OMS Apoia Testes de Novas Vacinas Contra o Ébola na RDC
A OMS inicia ensaios clínicos de vacinas contra o Ébola em meio a surto devastador na África, com mais de 5.300 mortes registradas.
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A Organização Mundial da Saúde (OMS) está dando suporte a ensaios clínicos de duas novas vacinas contra o Ébola, em um momento crítico, já que um surto está afetando diversos países africanos e resultou em mais de 5.300 mortes.
Esse surto é provocado pelo vírus Bundibugyo, uma variante rara do Ébola para a qual ainda não existe uma vacina aprovada. “Hoje, os especialistas da OMS recomendam a inclusão de duas candidatas a vacina nos ensaios, especificamente desenvolvidas para o vírus Bundibugyo”, comentou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, durante uma coletiva de imprensa em Genebra, nesta quarta-feira.
Essas vacinas estão sendo desenvolvidas pela Universidade de Oxford, em parceria com o Serum Institute of India e a Moderna. O Instituto Nacional de Investigação Biomédica da República Democrática do Congo (RDC) liderará os ensaios, com o apoio de parceiros internacionais, incluindo a própria OMS.
Tedros enfatizou que “as vacinas são ferramentas poderosas, mas não substituem as medidas comprovadas que podem salvar vidas no momento”, mencionando ações como cuidados precoces, rastreamento de contatos, isolamento, funerais seguros e dignos, além da importância de estabelecer um diálogo de confiança com as comunidades afetadas.
O surto, que teve início na RDC em maio, já infectou mais de 10.000 pessoas, apresentando uma taxa de mortalidade superior a 50%, de acordo com os dados mais recentes do país, divulgados em 31 de outubro. Esse cenário torna essa epidemia a que se espalhou mais rapidamente e a mais abrangente já registrada.
Além da RDC, também foram identificados casos no Quênia, na Nigéria e em Uganda, embora a RDC permaneça como o epicentro, com 5.103 mortes documentadas até agora.
Em resposta ao surto, alguns países, como Gana e os Estados Unidos, implementaram restrições de viagem para passageiros que vêm da RDC. Contudo, o diretor-geral da OMS criticou essas medidas, aconselhando sua revogação. “Estamos pedindo aos países que impuseram restrições de viagem que as retirem. Essas medidas penalizam os países que estão fazendo a coisa certa, criam desincentivos à transparência e prejudicam a resposta ao surto”, afirmou Tedros.
Essa visão é compartilhada pelos Centros Africanos de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), que, desde o início do surto, têm defendido que as restrições de viagem não devem ser o principal recurso de saúde pública durante surtos.


