O Legado Musical de Dolly Parton: Uma Revolução Feminina
Explore como Dolly Parton transformou a indústria musical com sua arte e mensagens poderosas, especialmente em '9 To 5'.
Em 1980, Dolly Parton estava no meio das filmagens de seu primeiro filme em Hollywood, '9 To 5'. Durante as pausas entre as cenas, uma ideia para a música tema do filme surgiu em sua mente. No entanto, havia um obstáculo: sua guitarra estava proibida no set. Então, improvisando, ela começou a bater suas unhas acrílicas uma na outra para criar o ritmo.
O som que ela produziu a fez perceber que era semelhante ao barulho da máquina de escrever usada por sua personagem, uma secretária casada que enfrenta constantes desdém e assédio sexual por parte de seu chefe. Animada, ela correu até suas colegas de elenco, Lily Tomlin e Jane Fonda, que também era uma das produtoras do filme, e cantou a canção para elas.
Fonda recorda: "Lily e eu nos olhamos e sentimos arrepios. E sabíamos que não era apenas uma música para o filme, era um hino."
Após a morte de Dolly Parton, tributos de artistas renomados como Taylor Swift e Beyoncé destacaram sua ousadia e genialidade.
"9 To 5" foi lançada em novembro de 1980 e se tornou a única música de Parton a alcançar o primeiro lugar nas paradas dos Estados Unidos como artista solo, além de lhe render uma indicação ao Oscar de melhor canção.
Dolly adorava compartilhar a história de como a música nasceu, mas "9 To 5" carrega outra marca: suas poderosas declarações sobre a vida profissional e o papel das mulheres no mundo corporativo. A melodia é tão cativante que é difícil não lembrar do refrão: "Working 9 To 5 / What a way to make a living!" É leve e envolvente. A mensagem, no entanto, é bem mais profunda. Afinal, o trabalho pode ser realmente difícil.
Por trás dessa melodia animada, existe uma indignação verdadeira. "É um jogo de ricos, não importa como o chamem / E você passa a vida colocando dinheiro no bolso dele", ela canta. "Eles apenas usam sua mente e nunca dão crédito."
Esses versos ressoaram com as frustrações reais das mulheres trabalhadoras, dando-lhes uma voz.
Mas há uma razão pela qual você pode não ter percebido a raiva que impulsiona a canção de Dolly. Ela não a interpreta dessa forma – e, convenhamos, ela tinha motivos de sobra para expressar esse descontentamento, tendo enfrentado o sexismo na indústria musical desde os 13 anos.
Dolly Parton: A vida de uma ícone da música country
Seu grande momento chegou em 1967, quando foi contratada como a "cantora do programa" de Porter Wagoner, um programa de TV que apresentava o cantor country e alcançava milhões de telespectadores a cada semana. Juntos, lançaram 21 duetos de sucesso, incluindo "Just Someone I Used to Know", "If Teardrops Were Pennies" e "Please Don't Stop Loving Me".
Contudo, à medida que a estrela de Parton brilhava cada vez mais, ela começou a ofuscar seu coestrela. Em determinado momento, percebeu que precisava seguir seu próprio caminho como artista solo. Para isso, escreveu "I Will Always Love You" como uma carta de desculpas ao seu mentor. A resposta dele, no entanto, foi processá-la por quebra de contrato em 1979, exigindo $3 milhões (£2,2 milhões).
Para evitar uma longa batalha judicial, Parton aceitou um acordo de cerca de $1 milhão.
"Decidi que, se ele podia viver com isso, eu poderia viver sem", escreveu em sua autobiografia. "Acho que o Porter se saiu bem com isso. Eu não sou nem a consciência nem a contadora dele."
Era típico da personalidade radiante de Dolly que ela nunca guardasse rancor de Wagoner, sempre mantendo um espírito generoso mesmo diante das adversidades.
