Novo livro revela a escravidão nos EUA pela voz dos escravizados
Publicação se baseia em pesquisas com autobiografias, feita pelo historiador e jornalista Rafael Cardoso, repórter da Agência Brasil.
© Fernando Frazão/Agência Brasil
O jornalista e historiador Rafael Cardoso lançou, no Rio de Janeiro, seu novo livro "Autobiografias de escravizados: Frederick Douglass, William Grimes e abolicionismo nos Estados Unidos", publicado pela editora Dialética. A obra, resultado de seu mestrado em história na Universidade Federal do Estado do Rio (UNIRIO), inverte a perspectiva comum nas ciências sociais, trazendo à tona a voz dos escravizados em vez de um olhar externo sobre o Brasil. Cardoso explica: "A gente não pode limitar o nosso olhar só para o que é mais próximo", enfatizando seu interesse em explorar a escravidão em um contexto diferente. Ele destaca a riqueza de relatos disponíveis nos EUA, onde centenas de escravizados documentaram suas experiências ao fugirem do sul para o norte abolicionista. Isso contrasta com a realidade brasileira, onde a maioria dos escravizados era analfabeta, obrigando os historiadores a reconstruírem suas histórias a partir de documentos oficiais. Uma exceção notável é a biografia de Mahommah Gardo Baquaqua, um homem que nasceu no Benim e conquistou sua liberdade após ser escravizado no Brasil. Cardoso foca em Frederick Douglass e William Grimes, cujas autobiografias publicadas entre 1825 e 1855 revelam mudanças sociais significativas na época. Ele analisa como fatores sociais e políticos moldaram suas vidas e identidades, destacando a importância da história para uma visão crítica da realidade, habilidades que são essenciais em seu trabalho como repórter da Agência Brasil.
