Noruega investiga ex-primeiro-ministro por ligações com Epstein
As propriedades do ex-primeiro-ministro Thorbjørn Jagland foram passadas a pente fino na sequência do levantamento da sua imunidade.

Na quinta-feira, a polícia da Noruega realizou buscas nas propriedades do ex-primeiro-ministro Thorbjørn Jagland, conforme confirmado por seu advogado. Essa ação faz parte de uma investigação sobre corrupção relacionada às suas conexões com Jeffrey Epstein. Jagland está sob investigação após a divulgação de documentos pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos em janeiro. Esses documentos indicam que ele e sua família passaram férias com Epstein entre 2011 e 2018, período em que Jagland presidia o Comitê Nobel, responsável por conceder o Prêmio da Paz, além de ser secretário-geral do Conselho da Europa. De acordo com o advogado Anders Brosveet, a polícia da unidade especializada em crimes econômicos, Okokrim, estava "realizando buscas na residência e nas propriedades recreativas de Thorbjørn Jagland". Na quarta-feira, o Conselho da Europa anunciou que atenderia ao pedido das autoridades norueguesas para retirar a imunidade que Jagland possuía em relação a processos judiciais. Essa imunidade, que visa garantir o exercício independente de funções oficiais, não é destinada a proporcionar "benefícios pessoais", conforme esclareceu o órgão pan-europeu de direitos humanos, com sede em Estrasburgo. Jagland sempre foi uma figura polêmica durante sua gestão no Conselho da Europa. Ele enfrentou críticas, tanto da mídia norueguesa quanto internacional, por sua postura considerada excessivamente subserviente a Vladimir Putin e ao Kremlin. Após a anexação ilegal da Crimeia pela Rússia em 2014, o país passou a enfrentar sanções que lhe retiraram o direito de voto. No entanto, em 2019, Jagland liderou esforços para restaurar esses direitos a Moscovo. Com a invasão em larga escala da Ucrânia em 2022, a Rússia acabou sendo expulsa do organismo, e Jagland foi criticado por ceder à suposta "chantagem" russa. Além disso, os documentos mais recentes sobre Epstein, divulgados em janeiro, revelaram que a princesa Mette-Marit, esposa do príncipe herdeiro Haakon, havia solicitado o empréstimo de uma propriedade de Epstein em Palm Beach durante alguns dias em 2013. Em uma troca de e-mails entre Epstein e Mette-Marit, datada de 2012, Epstein mencionou que estava em Paris "à caça de mulheres", mas preferia "escandinavas". A resposta dela foi que a capital francesa era "boa para o adultério", mas que as "escandinavas" faziam "melhores esposas". Recentemente, Mette-Marit se desculpou publicamente pela situação que gerou para a família real, afirmando: "Parte do conteúdo das mensagens entre mim e Epstein não representa a pessoa que eu quero ser". No último fim de semana, Mona Juul, ex-embaixadora da Noruega na Jordânia e envolvida em esforços de paz israelo-palestinianos na década de 1990, decidiu se demitir, após a revelação de que Epstein deixou 10 milhões de dólares (aproximadamente 8,4 milhões de euros) para os filhos de Juul em um testamento elaborado pouco antes de sua morte. O ministro dos Negócios Estrangeiros, Espen Barth Eide, declarou que estava em andamento uma investigação mais aprofundada sobre essas questões.