
Nawaf Salam: Evitar Guerra Total no Oriente Médio é Crucial
O primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, disse que acolhe com satisfação as novas negociações entre os EUA e o Irão marcadas para esta sexta-feira, bem como os esforços para promover a estabilidade e evitar uma guerra "total" no Médio Oriente.
Perante a crescente tensão entre Teerão e Washington, a editora da Euronews para a UE, Maria Tadeo, teve a oportunidade de conversar com o primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, enquanto participava da Cimeira Mundial dos Governos, no Dubai. Quando questionado sobre a possibilidade de um confronto militar entre os Estados Unidos e a República Islâmica, Salam expressou que qualquer iniciativa que vise promover a estabilidade na região e evitar uma 'guerra total' no Médio Oriente seria, sem dúvida, bem-vinda. Esse comentário é especialmente pertinente agora, já que as delegações do Irão e dos EUA concordaram em se reunir no dia 7 de fevereiro, provavelmente em Omã.
A Decisão sobre Guerra e Paz
A questão da guerra e da paz, afinal, é uma prerrogativa que deveria caber exclusivamente ao Estado. Embora não tenha mencionado o Hezbollah diretamente, as palavras de Salam foram bastante claras: 'No que diz respeito ao Líbano, quero sublinhar que a decisão sobre a paz e a guerra cabe exclusivamente ao governo.' Essa declaração é vista como uma resposta direta à organização apoiada pelo Irão, que Israel considera ser a sua representante no Líbano e na região como um todo.
No final do mês passado, o secretário-geral do Hezbollah, Naim Qassem, deixou claro que o partido não ficaria neutro caso o Irão fosse atacado. Nawaf Salam também trouxe à tona a situação no Líbano e os desafios que o país enfrenta, especialmente devido à realidade imposta por Israel.
Soberania e Desafios no Líbano
Isso inclui ataques diários ao sul e ao vale do Bekaa, o controle de áreas no sul do país e os chamados cinco pontos: as alturas de Hamames, Awida, Jabal Blat, Labouna e Azziyeh. Essa situação levanta sérias questões sobre a soberania do Estado sobre todo o território libanês.
'Infelizmente, precisamos abordar a questão da ocupação de partes do Sul por Israel, as violações diárias da nossa soberania e a detenção de vários dos nossos cidadãos. Com essas ações, Israel está a minar os esforços do governo, a autoridade do Estado e a contribuir para a instabilidade', ressaltou Salam.
O Líbano está a solicitar ajuda à UE e aos parceiros árabes. Enfrentando desafios internos com repercussões regionais e sobrecarregado por uma crise económica que perdura há décadas, o Líbano espera contar com o apoio de seus parceiros internacionais, especialmente dos europeus, em vista da próxima conferência em Paris que visa apoiar o exército libanês.
Mensagem à União Europeia
Em resposta a uma pergunta de Maria Tadeo, que indagou se ele tinha alguma mensagem para a União Europeia, Nawaf Salam afirmou: 'Precisamos da ajuda de todos os nossos parceiros na Europa e no mundo árabe.' Essa assistência poderá se concretizar na conferência de apoio às Forças Armadas libanesas, programada para o dia 6 de março em Paris, que representa um dos principais meios que o governo possui para promover o objetivo de restringir as armas às autoridades e ampliar a soberania do Estado sobre o território libanês.
Recentemente, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o presidente do Conselho Europeu, António Costa, estiveram no Líbano, no dia 9 de janeiro, onde se reuniram com o presidente Joseph Aoun. Durante o encontro, discutiram uma série de questões, incluindo reformas judiciais e económicas.