Mulheres Potencializam Artesanato Brasileiro e Preservam Tradições
A arte feita à mão: mulheres impulsionam artesanato brasileiro e preservam saberes ancestrais
O Sebrae tem se empenhado em fortalecer o artesanato brasileiro por meio de diversas iniciativas, como capacitações, apoio à gestão e incentivo à inovação, além de facilitar o acesso a novos mercados. A missão da instituição é transformar a prática do artesanato em pequenos negócios bem estruturados, ao mesmo tempo em que preserva a rica identidade cultural e promove a autonomia econômica de milhares de mulheres em todo o Brasil.
Esse protagonismo feminino é evidente nos dados do Sistema de Informação Cadastral do Artesanato Brasileiro (SICAB). Impressionantemente, mais de 77% dos mais de 358 mil artesãos profissionais cadastrados no país são mulheres. Elas são, em grande parte, as responsáveis pela preservação de técnicas ancestrais e pela movimentação da economia criativa em várias regiões do Brasil.
Entre os povos e comunidades tradicionais, as mulheres se destacam como guardiãs de saberes que são passados de geração em geração, especialmente entre indígenas, quilombolas e ribeirinhos. Além disso, elas lideram a inserção do setor no mercado internacional, representando cerca de dois terços dos artesãos que exportam, levando o artesanato brasileiro para lugares como os Estados Unidos e a Europa.
De acordo com Giselle Oliveira, gestora nacional de Artesanato do Sebrae, o papel das mulheres vai muito além da simples produção das peças. Elas são fundamentais para a estrutura do artesanato brasileiro, perpetuando conhecimentos ancestrais, transmitindo técnicas, organizando grupos produtivos e articulando com o mercado. Esse protagonismo é diretamente ligado à geração de renda, ao fortalecimento das economias locais e à autonomia econômica dessas mulheres.
Contudo, apesar de sua forte presença, o setor ainda enfrenta desafios, como a baixa renda média e a predominância de vendas em canais presenciais, como feiras e comércio direto. Nesse contexto, o Sebrae tem promovido ações de qualificação técnica e gerencial, incentivado a colaboração entre designers e artesãs, apoiado a formalização e ampliado as oportunidades de mercado, sempre mantendo a identidade cultural como um diferencial competitivo.
Um exemplo inspirador é a artesã Adriana Xavier, do Vale do Jequitinhonha (MG). Desde os 12 anos, ela trabalha com barro, tendo herdado esse conhecimento das mulheres de sua família. Hoje, Adriana cria peças utilitárias e decorativas com pigmentos naturais e foi reconhecida no Prêmio TOP 100 do Artesanato. Para ela, o artesanato é vital para a renda e o empoderamento feminino.
“O artesanato é muito importante para as mulheres da minha comunidade. Além de ser uma fonte de renda, ele nos permite trabalhar em casa e conquistar nossa independência financeira. Esse aprendizado precisa ser preservado para garantir a continuidade do artesanato e a liberdade das mulheres”, afirma.
Adriana também destaca o papel do Sebrae na valorização do trabalho artesanal. “O Sebrae oferece cursos de capacitação, projetos de valorização cultural, ajuda na criação de marcas e na participação em feiras. Isso tudo faz uma grande diferença para nós.”
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Atualizado há 63 horas
No litoral do Piauí, Nêda Lopes constrói pequenas “vilinhas” com madeira reaproveitada trazida pela maré, além de bolsas de fibras naturais e luminárias artesanais. Para ela, são as mulheres que mantêm viva a tradição dentro das famílias. “Eu aprendi vendo minha avó e minhas tias fazerem artesanato. É dentro de casa que essa cultura é transmitida”, conta.
Com apoio do Sebrae em oficinas, eventos e ações de divulgação, o artesanato se tornou a principal fonte de renda de várias famílias da região. “Comecei nas feiras do Sebrae e hoje consigo viver do artesanato. O incentivo faz a gente se sentir valorizada e enxergar que isso pode ser a renda principal da família”, destaca Nêda.
