Mulheres Indígenas: Protetoras da Amazônia em Luta
Em um manifesto poderoso, mulheres indígenas pedem reconhecimento e proteção de seus territórios na Amazônia durante o TEDxAmazônia 2026.

Mulheres em resistência, lutando pela defesa de nossos corpos e de nossos territórios. Que eles não sejam tocados, não sejam violados, não sejam mortos! A força da terra vive em nós.
Com esse manifesto poderoso, treze mulheres indígenas de diferentes povos da Amazônia encerraram a última edição do TEDxAmazônia, um evento que aconteceu pela primeira vez fora do Brasil, nas cidades de Banos e Puyos, no Equador. Liderando o grupo, a anciã do povo Shuar, Catalina Chumpi, fez um apelo às águas das cachoeiras, pedindo que elas conferissem poder a suas "netas" para que pudessem lutar pela proteção de seus territórios.
O manifesto das mulheres, assim como o pedido de Catalina, ecoaram a mensagem de abertura do encontro, que ocorreu entre os dias 27 e 30 de agosto. Durante o evento, o líder indígena do povo Shuar, Domingos Peas, solicitou um minuto de silêncio em homenagem a todos os defensores da natureza que perderam a vida em represália por seu trabalho.
Segundo o último relatório da Global Witness, os povos da Amazônia se encontram em uma situação alarmante: a América Latina é o continente com o maior número de assassinatos de defensores ambientais, e os líderes indígenas são os mais afetados.
Por outro lado, esse cenário trágico traz uma reflexão sobre o futuro. As comunidades que habitam a Amazônia desempenham um papel vital na preservação do território e devem ser protegidas, garantindo seu protagonismo, como enfatizaram diversas palestrantes durante o TEDxAmazônia.
Patricia Gualinga, líder do povo Kichwa, ressaltou que isso envolve a incorporação legal da cosmovisão indígena sobre a natureza, reconhecendo-a como um sujeito em si mesmo, e não apenas como um recurso a ser explorado pelos humanos. Ela se referiu à "selva viva", que possui memória, alma e direitos próprios.
"Para nós, a natureza sempre teve direitos. Por isso, os lugares mais bem cuidados estão nos territórios indígenas, pois compreendemos que não somos os únicos habitantes do planeta", afirmou a integrante do Fórum Permanente das Nações Unidas para Questões Indígenas durante sua fala no evento.
"Ao longo da minha infância, aprendi que a floresta respirava. E, agora que sou adulta, continuo acreditando que a floresta respira. É um convite ao mundo para reconhecer o território como um ser vivo. Devemos aprender a língua que nossos povos falam há milênios", acrescentou a juíza do Tribunal Internacional dos Direitos da Natureza.
Ela destacou que, em 2008, o Equador deu um passo histórico ao se tornar o primeiro país do mundo a incluir na sua Constituição que a natureza possui direitos equivalentes aos dos seres humanos, uma verdadeira "mudança paradigmática". Uma aplicação prática desse entendimento ocorreu em 2024, quando a mineração foi proibida na Floresta Los Cedros, já que essa atividade violaria os direitos da natureza local.
Decisões semelhantes foram tomadas em outros países, como o reconhecimento dos direitos do Rio Atrato, na Colômbia, e do Rio Maranhão, no Peru. No entanto, segundo Patrícia, é fundamental avançar no reconhecimento de territórios inteiros, e não apenas de áreas específicas, como rios e florestas.
Mas o maior desafio é...
