MPT Registra 223 Denúncias de Assédio Eleitoral em 2026
Com 95 casos apenas em agosto, o aumento de denúncias de assédio eleitoral revela preocupações sobre a integridade do ambiente de trabalho no Brasil.
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29/08/2026, 00h00 Atualizado 29/08/2026
O Ministério Público do Trabalho (MPT) registrou 223 denúncias de assédio eleitoral no ambiente de trabalho até agora em 2026, com 95 dessas ocorrências surgindo apenas em agosto.
Analisando o período de janeiro a julho, o MPT contabilizou 128 registros, representando um aumento de 25,5% em relação ao mesmo intervalo de 2024 e um crescimento impressionante de 16 vezes em comparação com os oito casos registrados em 2022.
Quase todos os estados do Brasil relataram essas denúncias, com São Paulo liderando em números absolutos.
Procuradores e um juiz consultados indicam que as pressões enfrentadas pelos trabalhadores podem incluir ameaças de demissão, conversas em grupos de mensagens relacionados ao trabalho e relações informais que criam um ambiente hostil.
O MPT está determinado a agir antes das eleições, e vale ressaltar que as denúncias podem ser feitas anonimamente ou com a identidade protegida.
De acordo com o balanço mais recente, 223 denúncias de assédio eleitoral foram recebidas pelo MPT até este momento. O mês de agosto, que ainda está em andamento, já concentra 95 registros, representando 42,6% do total e mais do que o dobro dos 46 contabilizados em julho.
Se olharmos para os dados de eleições anteriores, também fica evidente o aumento nas denúncias. Entre janeiro e julho, foram 128 registros, que são 25,5% a mais do que os 102 recebidos no mesmo período de 2024 e 16 vezes os oito casos de 2022.
É importante destacar que esses números representam relatos encaminhados ao MPT, e não necessariamente casos de assédio confirmados.
As denúncias estão espalhadas por todos os 26 estados e o Distrito Federal. São Paulo destaca-se com 29 registros, seguido pelo Rio de Janeiro, com 21, e Pernambuco, com 14. Minas Gerais e Pará vêm logo atrás, com 13 cada.
O aumento das denúncias neste ano coincide com o início da campanha eleitoral em 16 de agosto, quando foi liberado o pedido de votos e a propaganda nas ruas e na internet, conforme as normas eleitorais. Antes dessa data, os pré-candidatos já podiam apresentar suas propostas e buscar apoio político, mas sem fazer pedidos explícitos de voto.
Na visão do procurador-geral do Trabalho, Gláucio Araújo de Oliveira, a maior articulação entre os órgãos responsáveis e a facilidade para comunicar irregularidades são fatores que ajudam a explicar esse crescimento nas denúncias. Além disso, um aumento é esperado em função da intensificação do pleito deste ano.
Os casos de assédio moral no trabalho também estão em alta, com relatos de promessas de aumento salarial em troca de votos e ameaças de demissão se tornando comuns. No serviço público, a escolha política pode ser acompanhada de ameaças de exoneração ou perda de gratificações.
Um exemplo que ilustra essa situação é o caso do prefeito de Eldorado (SP), Noel Castelo da Costa (Solidariedade), que foi condenado a pagar R$ 30 mil por danos morais coletivos após intimidar um servidor ligado à oposição. O incidente ocorreu após a eleição suplementar de abril de 2025, quando o prefeito declarou que o trabalhador passaria a "respeitar quem está no comando do governo". Essa condenação, divulgada em julho de 2026, ainda está em primeira instância.