Motorola: Conar exige mudanças na publicidade de celulares

Após decisão do Conar, Motorola deve revisar a divulgação da memória RAM em seus smartphones para evitar confusões com os consumidores.

•2 min de leitura•Fonte original

A Motorola precisará repensar sua abordagem na divulgação de celulares no Brasil. O Tecnoblog revelou, em primeira mão, que a fabricante enfrentou uma significativa derrota no Conar, o órgão de autorregulamentação da publicidade que atua como um tribunal nesse setor. O cerne da questão envolve um tema que já está familiarizado para muitos: a memória RAM dos smartphones.

Desde o ano passado, a Motorola tem somado a memória RAM e a memória RAM virtual ao informar as especificações de alguns de seus modelos, resultando em números um tanto “inflacionados”. O que se espera na indústria é diferente: a RAM virtual deve ser mencionada em outra seção da ficha técnica, para evitar possíveis confusões.

Para ilustrar, peguemos o exemplo do Edge 70 Pro. Na página oficial, a fabricante destaca “até 24 GB de RAM” em letras garrafais. Porém, logo abaixo, em uma fonte menor, esclarece que, na verdade, são 12 GB de RAM física — que, convenhamos, é um valor razoável para um smartphone topo de linha — e outros 12 GB de “RAM Boost Inteligente”. O Moto G86 segue a mesma linha, mencionando também 24 GB de RAM, mas, aqui, apenas um terço é realmente RAM física.

Recentemente, o Conar tomou uma decisão. Em reunião do seu Conselho de Ética, ocorrida ontem (24/09), foi votada e aprovada, por unanimidade, a necessidade de mudança de postura por parte da Motorola. Essa determinação se baseia no Código de Autorregulamentação e foi fruto de uma sessão conjunta das quinta e oitava câmaras da entidade.

Na prática, isso significa que a Motorola terá que ajustar toda a publicidade de seus produtos, tanto em plataformas digitais quanto nos pontos de venda físicos. Uma fonte que está a par do assunto explicou ao Tecnoblog que a empresa ainda tem a opção de contestar essa decisão. Estamos mantendo contato com a Motorola e atualizaremos este texto assim que recebermos uma resposta.

Vale lembrar que o Conar, ou Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária, é uma entidade privada e suas decisões não têm o mesmo peso jurídico de uma sentença judicial. No entanto, as diretrizes estabelecidas são seguidas de maneira rigorosa pelo mercado, com veículos de comunicação, agências e marcas respeitando essas orientações.

De acordo com o artigo 27 do Código Brasileiro de Autorregulamentação Publicitária, as peças publicitárias devem apresentar uma descrição fidedigna do produto. Esse mesmo artigo proíbe qualquer informação ou apresentação visual que possa enganar o consumidor.

Atualizado há 22 horas

A Motorola se pronunciou pela primeira vez desde que foi condenada no Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) por veicular informações enganosas sobre smartphones. Neste sábado (26/09), a companhia afirmou manter o “compromisso com a transparência e com a clareza das informações”, mas as evidências disponíveis na loja oficial dela mesma mostram o contrário.

Em nota ao Tecnoblog, a Motorola disse que “a alteração requerida pelo Conar já havia sido implementada em nossos canais próprios desde o início de agosto”. Essa informação não procede. A nossa equipe de reportagem realizou uma averiguação ontem (25/09) e encontrou inúmeros produtos com descrições que feriam a orientação do Conar.

Por outro lado, a companhia sustentou que este formato “continua sendo utilizado por outros fabricantes, concorrentes da Motorola”. Ela tem razão: nós identificamos a questão em páginas de produtos da Xiaomi e da Jovi após realizarmos uma checagem neste sábado (26/09). Já os sites da Apple, Samsung, Realme e Oppo não continham o problema.

Compartilhar: